O PS defendeu esta sexta-feira que o governador do Banco de Portugal deve esclarecer “quanto antes” que não omitiu informação no caso Banif, admitindo poder chamá-lo ao parlamento para “esclarecimentos adicionais”.

Em declarações à agência Lusa, o deputado socialista João Galamba considerou ser “do interesse” de Carlos Costa esclarecer as notícias de que omitiu do governo uma sugestão que fez ao Banco Central Europeu para limitar a liquidez concedida pelo Eurosistema ao Banif.

É do interesse do Banco de Portugal esclarecer toda esta situação. Vamos aguardar pelo envio da ata completa e só depois, se entendermos que se justificam explicações adicionais do governador, iremos chamá-lo” ao parlamento, disse à agência Lusa o vice-presidente da bancada parlamentar socialista.

João Galamba defendeu que o governador do Banco de Portugal deve esclarecer a situação e “demonstrar de forma definitiva que não houve nenhuma tentativa de ocultar informação”.

Ontem [quinta-feira], o Sr governador tentou, através de comunicado, dizer que estávamos perante uma ata truncada e que a divulgação da ata completa esclareceria melhor o papel do banco. O problema aqui é que o Banco [de Portugal], na comissão de inquérito, sugeriu sempre que não tinha sido por sua iniciativa, que tinha sido algo imposto de fora para dentro, que lhe tinha sido imposta e que o Banco nem tinha concordado”

O Governo acusou o Banco de Portugal de ter cometido uma “falha de informação grave”, por ter omitido que pediu ao BCE para limitar o financiamento do Eurosistema ao Banif.

A ser verdade, é grave, sobretudo por ser incompreensível. Porque ontem [quinta-feira] o que o banco tenta dizer é: sim assume que foi por iniciativa do Banco de Portugal, mas que até pôs a medida menos gravosa. Mas há indícios que não terá sido bem assim e que, de facto, não propôs a medida menos gravosa”

Por isso, defendeu João Galamba, o governador deve revelar a “total extensão” da intervenção do Banco de Portugal.

Se o governador entende que a ata completa revelará exatamente qual foi a participação do Banco, que envie rapidamente a ata completa, uma vez que foi o banco que enviou a ata que nós temos e que é limitada. Se acha que isto não revela a total extensão da intervenção do banco e que estamos a ser induzidos em erro por uma ata parcial, que envie a ata completa, e cá estaremos para fazer esse juízo”

O deputado socialista ressalvou ainda que o PS “não quer crucificar ninguém”, mas apenas “ouvir”.

Na quinta-feira à noite, depois de o Jornal de Negócios ter noticiado as restrições ao financiamento do Banif, o BdP realçou que a proposta que levou ao BCE relativa à limitação do acesso às operações de política monetária do Eurosistema era a "menos gravosa" para o Banif.

A medida proposta pelo Banco de Portugal era a menos gravosa do quadro de medidas discricionárias ao dispor do Eurosistema (limitação, suspensão ou exclusão do acesso às operações de política monetária do Eurosistema)", referiu um comunicado emitido pelo supervisor bancário.

O comunicado surgiu depois de o Jornal de Negócios ter noticiado que as restrições impostas pelo BCE ao Banif foram propostas pelo Banco de Portugal, depois de ter tido acesso à minuta da 417.ª reunião do Conselho de Governadores do BCE.

Na nota de esclarecimento, o BdP realçou que a medida que sugeriu ao BCE "não requeria reembolso de fundos do Eurosistema" e que, "em termos práticos, não tinha impacto no montante de liquidez que a instituição poderia obter no âmbito das operações de política monetária".