O deputado socialista João Galamba afirmou esta terça-feira que a alteração das previsões económicas da Comissão Europeia "não têm qualquer impacto" no exercício feito pelo grupo de trabalho mandatado pelo PS.

Em declarações à Lusa, João Galamba, um dos 12 economistas que redigiram o relatório encomendado pelo PS, afirmou que o exercício do grupo de trabalho foi o de "calcular variações face a um cenário base, seja qual for esse cenário base".


"Aquilo que estamos a estimar é, com aquelas políticas, quanto aumenta o produto e o emprego e quanto desce o défice e a dívida pública", disse João Galamba, acrescentando que a mudança do cenário base "é indiferente" ao impacto das medidas previstas, que se mantém.


O deputado socialista defendeu que "o estudo [do PS] só estaria desatualizado se os impactos das medidas propostas fossem revistos", sublinhando que "não foi esse o caso" e que "se se cumprirem as previsões [europeias], isso só torna os resultados finais [previstos no relatório] ainda mais plausíveis".

A 21 de abril, os 12 economistas mandatados pelo PS apresentaram o relatório 'Uma década para Portugal' em que, partindo do cenário macroeconómico da Comissão Europeia, conhecido a 5 de fevereiro, apresentaram as suas próprias projeções para a economia portuguesa até 2019, considerando o impacto de uma série de medidas também incluídas no documento.

No entanto, Bruxelas atualizou hoje as suas previsões para a evolução da economia e das finanças públicas de Portugal, tendo melhorado ligeiramente estas perspetivas face às apresentadas em fevereiro.

Para 2015, a Comissão Juncker manteve a previsão de crescimento económico (nos 1,6%) mas melhorou a do défice orçamental (dos 3,2% para os 3,1% do PIB) e para a dívida pública (dos 124,5% calculados em fevereiro para os 124,4%).

Já para 2016, o grupo de trabalho liderado por Mário Centeno prevê que Portugal cresça 2,4% e que o desemprego seja de 12,2%, sendo o cenário europeu para um crescimento económico de 1,8% e uma taxa de desemprego de 12,6%.

Quanto às finanças públicas, os socialistas antecipam que, considerando as medidas incluídas no seu documento, o défice orçamental seja de 3,2% em 2015 e de 3% em 2016, ao passo que as projeções de Bruxelas, que assumem as políticas atuais, apontam para um défice de 3,1% este ano e de 2,8% no próximo.

Isto significa que, tendo o défice acima dos 3% definido pelas regras europeias tal como os socialistas consideram nos seus cálculos que já incluem o impacto das medidas que integram o relatório, em 2016, Portugal continuará no Procedimento dos Défices Excessivos.

Relativamente à evolução da dívida pública, o PS estima que seja de 130,2% este ano e que caia para os 128,8% em 2016, enquanto os técnicos europeus esperam que seja de 124,4% em 2015 e de 123% no próximo ano.

As previsões da Comissão Europeia são feitas num cenário de políticas invariantes, ou seja, considerando apenas as medidas em vigor ou já legisladas.