O eurodeputado comunista João Ferreira afirmou esta terça-feira, na inauguração no Parlamento Europeu de uma exposição sobre os 40 anos do 25 de Abril de 1974, que a austeridade da troika «representa a antítese dos valores» da Revolução dos Cravos.

«Para derrotar estas políticas é imperativo que avancem os ideais de Abril, a experiência histórica mostra-nos que está nas nossas mãos alcançar a democracia, a justiça social e a soberania do povo», afirmou o também novamente cabeça de lista do PCP às eleições europeias de 25 de maio.

O PCP inaugurou hoje em Bruxelas, nas instalações do Parlamento Europeu, uma exposição sobre o quadragésimo aniversário da revolução que pôs fim à ditadura, com vários cartazes da época e do Movimento das Forças Armadas, mas também de manifestações e ações de protesto recentes em Portugal.

Em declarações à Lusa, o eurodeputado comunista afirmou que a iniciativa pretende «lembrar os 48 anos de ditadura fascista», «as conquistas de Abril» e «aquilo que a revolução trouxe, os direitos e os valores», os que permanecem «vivos e atuantes na sociedade e outros que ficaram pelo caminho».

João Ferreira defendeu que atualmente a «alternativa ao caminho de desastre económico e devastação social» em Portugal «passa inevitavelmente por fixar no presente e no futuro» do país «os valores do 25 de Abril».

«Está nas mãos do povo português construir o seu destino, tudo isto que está a ser posto em causa pode ser recuperado pelo povo português, essa é uma das lições que o 25 de Abril nos traz», sustentou, referindo-se essencialmente aos sistemas públicos de educação, saúde e segurança social.

Na sua intervenção na inauguração da exposição, o comunista considerou que «a troika representa a antítese dos valores da revolução de Abril» e que o país vive «uma inversão brutal dos direitos dos trabalhadores, um assalto aos sistemas de segurança social, e ensino e de saúde públicos», com «enormes injustiças sociais e desigualdades regionais».