O cabeça de lista da CDU às eleições europeias afirmou hoje que a coligação é a «única força» no Parlamento Europeu que «aponta um caminho» para «libertar» Portugal dos mercados financeiros, defendendo a reestruturação da dívida.

«A CDU é nestas eleições [europeias] a única força com representação no Parlamento Europeu que aponta um caminho capaz de libertar o país da dependência exclusiva dos mercados financeiros, dos especuladores dos mercados financeiros», disse João Ferreira.

O caminho, segundo o candidato, passa por «reestruturar a dívida» e «recuperar a soberania monetária que o país perdeu», recuperando um banco central nacional emissor de moeda, que «assegure a solvabilidade» do Estado e a capacidade do Estado em fazer face aos seus compromissos, nomeadamente nas suas funções sociais.

João Ferreira falava aos jornalistas, em Portalegre, à margem de uma visita ao Hospital José Maria Grande, iniciativa inserida na pré-campanha da CDU para as eleições europeias.

De acordo com o candidato, o anuncio feito no domingo pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de que Portugal optou por uma «saída limpa» do programa de assistência económica e financeira «foi uma operação de propaganda», inserida no «contexto» eleitoral que o país está a atravessar.

«Os constrangimentos que hoje pesam sob o país por estar sob um programa de assistência continuarão no futuro, mesmo sem esse programa de assistência se mantiverem estes mecanismos: o tratado orçamental, a governação económica e o semestre europeu», disse.

Sobre a visita ao distrito de Portalegre, João Ferreira considerou que houve um «rotundo falhanço» no objetivo da chamada coesão territorial, graças às políticas desenvolvidas nos últimos anos.

«Ao nível da União Europeia, falhou claramente o objetivo da coesão e isso é muito percetível hoje no agravamento das assimetrias, seja entre países, seja dentro de cada país ao nível das diferentes regiões», declarou.

Lamentando a «redução» de fundos da União Europeia para a coesão, o candidato comunista sublinhou que o orçamento comunitário 2014/2020 «desfere um golpe muito profundo» no objetivo da coesão económica, social e territorial.

«É um orçamento que prejudica Portugal, cada vez há mais desigualdade e isso é evidente», disse.