O cabeça-de-lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira, disse que o PS, «por muitas piruetas que dê», não se «pode demarcar» dos partidos do Governo, porque participou «no amarrar» do país à troika.

«Não tem credibilidade nenhuma quem, prometendo a mudança, está comprometido com mecanismos que são eles mesmos a negação da mudança, são mecanismos que pretendem manter, por outros meios, a continuação das mesmas políticas», disse, aludindo ao PS.

João Ferreira falava à agência Lusa à margem de um almoço em Évora, com trabalhadores da fábrica alentejana da multinacional Kemet Electronics, que pretende avançar com um despedimento coletivo e deslocalizar uma das linhas de produção para o México.

Questionado sobre a reunião de hoje entre o PS e a troika, no final da qual um dirigente socialista disse ter ficado com a «certeza» de que a política de austeridade em Portugal vai continuar, após o fim do programa de assistência financeira, o cabeça-de-lista da CDU frisou que «essa é uma decisão que está nas mãos dos portugueses».

«Continuar a política da troika depois da troika é um rumo com o qual estes três partidos [PS, PSD e CDS-PP] estão comprometidos», mas «não é um rumo inevitável», disse, apelando ao voto na CDU nas eleições europeias de 25 de maio.

Segundo João Ferreira, o PS, por «muitas piruetas que dê, não se pode demarcar dos partidos do Governo» no que toca à política de austeridade, pois, «estiveram juntos no amarrar do país aos mecanismos» que a sustentam.

Como exemplo, o candidato comunista lembrou que, a nível nacional, PS, PSD e CDS-PP «estiveram juntos a assinar o programa da troika», o mesmo acontecendo no Parlamento Europeu, onde «estiveram juntos a caucionar mecanismos» como «o semestre europeu, a governação económica e o tratado orçamental».

Em relação à Kemet Electronics, João Ferreira disse que os eurodeputados comunistas já por «diversas vezes» questionaram as instâncias comunitárias sobre os «muitos milhões de fundos públicos, incluindo comunitários», recebidos pela empresa.

O cabeça-de-lista da CDU disse que a atuação da empresa norte-americana é o exemplo das «estratégias beduínas das multinacionais», que «recebem fundos públicos para se instalarem e, depois, levantam tenda em busca de salários mais baixos».

«Defendemos a obrigatoriedade de devolução» de apoios sempre que «a deslocalização ocorra» e «medidas que impeçam essa deslocalização e que condicionem a atribuição de fundos públicos, nomeadamente comunitários, à salvaguarda por muitos anos da manutenção da capacidade de produção e dos postos de trabalho», disse.