O cabeça de lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira, apresentou um balanço do último mandato dos eurodeputados comunistas, enaltecendo a «riquíssima intervenção» na defesa dos interesses de Portugal.

«Os eurodeputados do PCP foram, dos portugueses, os que de longe mais atividade desenvolveram, seja no Parlamento Europeu, seja na atividade desenvolvida também em Portugal», frisou o comunista, que falava em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.

João Ferreira falava acompanhado de Ilda Figueiredo, que foi deputada em Bruxelas de 1999 a 2012 e é agora mandatária nacional da candidatura, e Inês Zuber, que substituiu Ilda Figueiredo em 2012 e é novamente candidata ao Parlamento Europeu, em número dois da lista da CDU (PCP e «Os Verdes»).

O PCP, sublinha João Ferreira, fez na mais recente legislatura mais de 600 intervenções em sessão plenária, mais de 3 mil declarações de voto e mais de mil perguntas a diferentes instituições, nomeadamente a Comissão Europeia, sobre diferentes matérias políticas, legislativas e económicas.

O cabeça de lista da CDU lembrou que a coligação «soube concretizar os compromissos que assumiu» que iria defender em Bruxelas, tendo hoje «prestado contas aos portugueses» sobre o trabalho desenvolvido no Parlamento Europeu.

O eurodeputado lembrou propostas em áreas tão diferentes como a pesca, a pobreza, situações de conflito em várias zonas do mundo ou o programa de distribuição de alimentos na União Europeia (UE), entre outras.

As questões económicas e financeiras, assumiu João Ferreira, acabaram por ter uma «preponderância» maior em virtude da crise dos últimos anos.

Nessa matéria, lembrou, o PCP apresentou várias propostas: «a defesa de um imposto sobre transações financeiras, o combate às agências de rating, a defesa de alteração de estatutos do Banco Central Europeu [BCE]», por exemplo.

A defesa da renegociação divida pública em «prazos, juros e montantes» e o «combate ao aprofundamento da União Económica e Monetária» foram também bandeiras do PCP no hemiciclo europeu.

João Ferreira lamentou ainda a perda de um eurodeputado português, que serão agora 21, em virtude da adesão recente da Croácia à UE.

«Este não é, nunca foi, uma solução inevitável, mesmo tendo em conta o alargamento à Croácia. Eram possíveis outras soluções mantendo intocável o número de deputados dos médios e pequenos países. No caso de Portugal houve da parte de PSD, PS e CDS-PP uma desistência desta possibilidade e a aceitação da perda de deputados por parte de Portugal», notou o comunista.