O eurodeputado comunista e recandidato afirmou esta quarta-feira que o PS tem de «arrepiar caminho» e esclarecer a sua censura ou não ao Governo da maioria PSD/CDS-PP, afastando-se da «política de direita» para haver um eventual compromisso à esquerda.

Em entrevista à Agência Lusa, João Ferreira frisou que o PCP não abdica de «princípios fundamentais» porque o seu partido está «com os trabalhadores e o povo», embora ninguém possa «acusar» os responsáveis da rua Soeiro Pereira Gomes de «inflexibilidade total».

«Já apresentámos [uma moção de censura] e, desde que considerámos que havia razões para censurar este Governo, mantivemo-nos coerentes nessa posição. Isto é algo que também nos distancia de outros. O PCP, a partir do momento em que entendeu que este Governo tinha perdido qualquer legitimidade - tinha entrado em confronto com a Lei Fundamental, contrariou promessas eleitorais -, defendeu que ele devia sair, deviam ser convocadas eleições», afirmou.

O cabeça de lista do PS às europeias, Francisco Assis, disse esta quarta-feira que uma eventual moção de censura ao Governo no Parlamento está, «neste momento», fora da agenda socialista.

«Não ajuda, para a construção desta alternativa, situar no campo da esquerda partidos que têm estado visivelmente comprometidos com uma política de direita e não manifestaram intenção de arrepiar caminho», continuou.

Para o também vereador da Câmara Municipal de Lisboa, que manifestou «a predisposição para assumir os dois mandatos por inteiro, dentro do princípio estatutário do PCP de que todos os mandatos estão à disposição do partido», sem excluir a rotação com outros rostos comunistas, «só uma grave e reiterada violação do princípio do compromisso assumido pelo Presidente da República de cumprir e fazer cumprir a Constituição é que tem mantido este Governo em funções».

«Nós não mudámos a nossa posição, ao contrário de outros. O PS teve hesitações nesse campo. Apresentou uma moção de censura, houve alturas em que disse que, afinal, [o Governo] deveria continuar o seu mandato até ao fim, até 2015, e, até hoje, não tem uma postura clara a esse respeito», criticou.

Segundo João Ferreira, «há coisas em que se pode ceder e coisas em que não se pode ceder, há princípios nos quais não se pode ceder, depois há, evidentemente, compromissos», em política.

«Talvez muito do sentimento de desalento, descrença, na própria democracia, resulte do facto de muitos não cumprirem com princípios essenciais. Ninguém espere, nunca, ver da nossa parte uma cedência em princípios fundamentais. Nós estamos do lado dos trabalhadores e do povo e, aí, não há cedências», sublinhou.

De resto, João Ferreira esclareceu que «nunca faltaram votos para apoiar o que quer que fosse de positivo para aqueles com os quais temos o tal compromisso, esse sim, inflexível, venham as propostas de onde vierem, de que partidos vierem».

«Ninguém pode acusar o PCP e a CDU de inflexibilidade total», frisou.