O eurodeputado e recandidato da CDU ao Parlamento Europeu afirmou este sábado que a «mudança» anunciada pelo PS é «vira o disco e toca o mesmo», num comício, pela tarde, que encheu o Coliseu dos Recreios de Lisboa.

«É este o sentido da 'mudança' que andam a apregoar. Não uma verdadeira mudança, mas uma mera dança de cadeiras, um "vira o disco e toca o mesmo"!», disse João Ferreira, justificando que têm sido os socialistas «a escolher o lado da política de direita, do apoio às políticas e instrumentos da União Europeia para substituir a atual 'troika' por uma com outro nome e configuração».

O também vereador da Câmara Municipal de Lisboa rejeitou o "voto útil" no PS "para derrotar o Governo" da maioria PSD/CDS-PP, já que "está bem à vista a sua utilidade".

"O voto no PS não só não garante qualquer utilidade para quem quer mesmo ver o Governo derrotado e demitido, como acabará lançado na parcela que soma para a continuação da submissão do país a orientações contrárias aos seus interesses, na parcela que soma para a continuação do esbulho aos rendimentos da população, aos salários e pensões e no ataque às funções sociais do Estado", continuou, considerando que "não é por acaso que o PS ataca e faz da CDU o seu alvo".

João Ferreira acusou Passos Coelho e Paulo Portas de "supremo cinismo e hipocrisia" por dizerem "querer homenagear os portugueses".

"Convidamo-los a virem fazer essa homenagem numa urgência de hospital com espera interminável, numa das filas para a sopa dos pobres ou no desespero de uma fila do centro de emprego", declarou.

Para o eurodeputado comunista, "não há limpeza nenhuma a não ser nos bolsos dos portugueses e nos direitos que a Constituição consagra, mas também não há ?saída' nenhuma" e "a mentira infame dos que vendem o país, dos que traem os interesses nacionais, chega a invocar um novo 1640".

"Fazem-no para esconder outra data. Pelo menos, até 2038, de acordo com os compromissos acordados entre ¿troikas', nacional e estrangeira, Portugal estará sob "vigilância reforçada" do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, com inspeções regulares e sujeito a sanções", denunciou, acrescentando que "alguns relógios que por aí andam, com a contagem decrescente para a saída da ¿troika', teriam de ser atrasados quase um quarto de século".

O membro do comité central do PCP previu, "pelo menos, mais 20 anos de exploração, de liquidação de direitos, de saque dos salários e das reformas, ao sabor dos interesses dos especuladores".