O cabeça de lista da CDU às eleições europeias apelou este domingo aos portugueses para negarem o voto àqueles «que destruíram o país», colando novamente o PS à «política de direita» da maioria PSD/CDS-PP.

Numa ação de rua, em Vila Nova de Gaia, João Ferreira respondeu às acusações do primeiro-ministro, Passos Coelho, de que a oposição é demagógica e facilitista, e também ao repto do líder do PS, António José Seguro, que afirmara que só com mais votos nos socialistas o Governo pode sofrer uma maior derrota.

«Fazendo o apelo que temos vindo a fazer e continuaremos a fazer aos portugueses - para não votarem naqueles que destruíram o país», retorquiu o eurodeputado comunista, numa soalheira tarde de domingo que terá convocado mais cidadãos à luta pela pele bronzeada, à beira-mar ou à beira-rio, do que à marcha-comício, desde a rotunda de Santo Ovídio e por toda a rua Soares dos Reis.

As palavras de ordem foram ecoadas pelas poucas mais de 100 pessoas que integraram o desfile: «É preciso, é urgente, correr com esta gente», «a CDU avança com toda a confiança», «o país não se endireita com política de direita».

A confiança foi tal que um dos elementos do desfile protagonizou um «choque» com um carro ligeiro que resultou num espelho retrovisor partido. Mais à frente, duas outras viaturas também chocaram, ao de leve, talvez pelo condutor de trás se ter distraído com as bandeiras da força que congrega PCP, «Verdes» e Intervenção Democrática.

«Nós identificamos a política de direita, independentemente de quem a protagonize. É a política de direita que tem de ser derrotada. Como é público e notório, o PS está comprometido com a política que nos trouxe à situação que hoje o país enfrente», condenou João Ferreira.

O recandidato ao Parlamento Europeu criticou o PS porque «já manifestou disponibilidade para entendimentos de governo com PSD e CDS, já disse que não se compromete com uma redução da carga fiscal, nem com uma devolução aos portugueses de tudo quanto lhes foi retirado».

«Portanto, tem pouca credibilidade para prometer mudança quem, nos últimos cinco anos, em tudo o que de relevante foi decidido no Parlamento Europeu, mas também a nível nacional, com os PEC (Programas de Estabilidade e Crescimento) sucessivos e no programa da troika, esteve sempre ao lado dos partidos do Governo», disse o também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.