Os eurodeputados do PCP enunciaram esta sexta-feira um conjunto de temas que pretendem levar a debate nos «próximos meses» no Parlamento Europeu, entre os quais a «urgente» renegociação da dívida e a preparação de Portugal para a saída do euro.

«Esta saída [do euro] faz-se para crescer mais e faz-se em associação com a renegociação da dívida precisamente para libertar o país deste constrangimento», declarou o eurodeputado João Ferreira, em conferência de imprensa na sede do PCP, em Lisboa.

O parlamentar europeu falava ladeado dos dois restantes eleitos do PCP nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, Inês Zuber e Miguel Viegas.

Os «constrangimentos identificados com a submissão» de Portugal à moeda única «não só se mantêm como têm tendência para se agravar», acredita João Ferreira.

«A questão, como o PCP a pôs há muito, está colocada: é possível um caminho de recuperação económica assente na promoção das condições de vida dos portugueses dentro do euro? A resposta é negativa», diz o eurodeputado.

Os comunistas, sustenta, irão suscitar o debate no Parlamento Europeu sobre o «início do processo de discussão» para a dissolução da União Económica e Monetária, e a extinção do Pacto de Estabilidade, e pretenderão criar um «programa de apoio aos países cuja permanência no euro se tenha revelado insustentável e que preveja a devida compensação pelos prejuízos causados no quadro de uma saída negociada da moeda única».

«Desde há muito que Portugal é prejudicado pela integração numa moeda desajustada das reais condições da base produtiva do país e das suas necessidades no plano económico», advoga João Ferreira.

No que se refere à renegociação da dívida, os comunistas assinalam que «são hoje poucos aqueles que ainda conseguem negar que as dívidas pública e externa são insustentáveis e impagáveis», pelo que a renegociação é uma «inevitabilidade».

Os três eurodeputados do PCP vão também levar a debate nos hemiciclos de Bruxelas e Estrasburgo a revogação da União Bancária e a condução de uma conferência intergovernamental para a revogação e suspensão imediata do tratado orçamental.

A defesa do emprego, direitos sociais, setores produtivos e serviços públicos estará também na linha da frente de prioridades dos comunistas, que continuarão a intervir «contra a militarização da União Europeia», denunciando «uma dita política externa que é contrária aos interesses dos povos».