O recandidato comunista às Europeias de 2014, João Ferreira, afirmou sexta-feira que PS e PSD vão tentar «mostrar que é diferente o que é igual», em termos de atuação dos seus representantes em Bruxelas, prejudicando Portugal em Bruxelas e Estrasburgo.

«Eles bem vão tentar, por todos os meios, mostrar que é diferente o que na verdade foi e é igual. É esta a difícil tarefa dos candidatos do PSD e do PS nestas eleições. Este último, ainda há poucos meses defendia publicamente um entendimento entre PS e PSD», declarou, referindo-se ao cabeça de lista socialista, Francisco Assis.

O também vereador da Câmara Municipal de Lisboa, primeiro da lista da Coligação Democrática Unitária (PCP, Os Verdes e Intervenção Democrática) discursava na Voz do Operário, em Lisboa, num comício comemorativo dos 93 anos da força comunista.

«Pode o PS queixar-se de forma oportunista desta União Europeia (UE) e do seu acentuado pendor neoliberal. Na substância, nunca soube nem nunca quis propor caminho alternativo. Disse António José Seguro (líder socialista) que a contrapartida para a assinatura do Tratado Orçamental seria um aumento substancial do orçamento da EU, mas o PS aprovou, no Parlamento Europeu, mais uma vez com a direita, um orçamento que pela primeira vez diminui face ao quadro financeiro anterior», declarou.

João Ferreira afirmou que «PSD, PS e CDS-PP juntaram os seus votos para aprovar um orçamento que trará para Portugal até 2020, na melhor das hipóteses, não mais de dois terços do que aquilo que o país irá pagar só em juros e comissões, pelo empréstimo da toika, que estes mesmos partidos assinaram».

«Com o aproximar das eleições, ensaiam-se já as difíceis manobras de PSD e CDS-PP, por um lado, e do PS, por outro, para esconder um facto indesmentível (...). Estiveram juntos em tudo o que de mais relevante foi votado no Parlamento Europeu nos últimos cinco anos», afirmou.