O cabeça de lista da CDU nas eleições europeias, João Ferreira, acusou este sábado PS, PSD e CDS de fazerem parte do «pântano do consenso» e de terem «amarrado» o país a mecanismos de submissão na União Europeia.

João Ferreira, atual eurodeputado e vereador da Câmara de Lisboa, falava na parte final do «Encontro Nacional do PCP» em Almada, antes da intervenção de encerramento a cargo do secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.

«Há um pântano do consenso que une na Europa os sociais-democratas à direita - sociais-democratas inspiradores de [António José] Seguro», apontou o cabeça de lista da CDU nas eleições de 25 de maio, já depois de ter responsabilizado PS, PSD e CDS por terem «amarrado o país a mecanismos de submissão», dando como exemplos «o euro mais» e o tratado orçamental.

Na sua intervenção, o eurodeputado comunista defendeu a tese de que as políticas europeias em curso favorecem a concentração da riqueza e lançaram o país numa «espiral de dependência.»

Para João Ferreira, os mecanismos «de submissão impostos» a partir de Bruxelas traduzem-se em última instância «numa política de opressão de classe».

«Veja-se como a Comissão Europeia, com a sobranceria do colono perante o colonizado, veio esta semana decretar mais um corte de cinco por cento nos salários. Pouco vale a propaganda de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas sobre o fim do programa da troika e de pouco vale o esforço de António José Seguro para sugerir ser diferente. PS, PSD e CDS estiveram com o tratado orçamental e subscreveram todos os instrumentos que irão prolongar no país as políticas da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional)», declarou.

Antes das intervenções de Jerónimo de Sousa e de João Ferreira, usaram da palavra Francisco Lopes, membro do Secretariado e da Comissão Política do PCP, o líder parlamentar, João Oliveira, e o responsável máximo da FENPROF, Mário Nogueira.

Francisco Lopes apelou à luta face «ao atual saque colossal», Mário Nogueira sustentou a tese de que este Governo prosseguiu a política educativa dos executivos de José Sócrates e João Oliveira procurou desmontar a ideia de que todos os partidos são iguais, traçando uma linha de demarcação entre o PCP e os restantes.

«A chantagem e o medo são os principais argumentos dos protagonistas da política de direita», acrescentou o presidente da bancada comunista.