O socialista João Cravinho acusa o Presidente da República de criar "muros de arame farpado" entre a esquerda e a direita ao impor condições para a formação do governo.

No programa Política Mesmo, da TVI24, o antigo ministro das obras públicas afirmou que Cavaco Silva fez uma “espécie de carta de prego”, em que o comandante do navio fica encarregado de abrir a carta, depois de passar o bugio, para saber pormenores da missão.

O antigo ministro das Obras Públicas disse que Cavaco Silva ergueu uma barreira que divide os 70% com quem tem, de facto, de se discutir e os 30% que ficam de fora.

“O que o Presidente da República fez foi erguer um muro [entre] os 70% com quem de facto se tem de discutir a Governação e os outros 30% que estão fora."


Ainda assim, considera que a decisão do PR não é inconstitucional. Mas acrescenta que, neste momento de impasse, “a coligação precisa mais do PS que o PS precisa da coligação”.

"Quem está na posição de não ser capaz de realizar o seu programa é a coligação PSD/CDS, não haja enganos sobre isso. Quem está na posição de dizer ‘eu preciso’ é a coligação. Agora se me perguntarem ‘o PS não precisa’? O povo português precisa, e o PS está extremamente atento ao que o povo precisa."


Cravinho sublinha que o PS diz que não aceita o arco de governação, nem “muros de arame farpado”, e justifica:

“O PS é hoje mais importante do que era antes das eleições. Não atingimos os nossos objetivos, claríssimo, perdemos uma batalha, mas o PS tem hoje muito mais força do que tinha antes das eleições”

O povo português precisa de uma boa governação, sublinhou o responsável, que referiu que não é obrigação do PS manter no poder Paulo Portas ou Passos Coelho, como primeiro ou segundo ministro.