O CDS-PP diz ter provas que o ministro das Finanças, Mário Centeno, mentiu à Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos sobre o alegado acordo para libertar a administração do banco público da entrega da declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional. 

O senhor ministro das Finanças disse na Comissão de Inquérito que inexistiam documentos que existem e que neste momento a Comissão de Inquérito já conhece e recebeu. Relativamente à quebra de verdade por parte do senhor ministro das Finanças, ela é inequívoca. Poderá estender-se ainda mais com a análise de documentos que estão sobre reserva", disse o deputado do CDS-PP João Almeida, em declarações aos jornalistas, no Parlamento. 

João Almeida admitiu perguntar ao ministro das Finanças "se quer voltar atrás na resposta que deu" e prometeu não deixar de "voltar a chamar António Domingues para dizer se existem ou não documentos que até ao momento o ministério e o Governo têm dito que não existem".

O porta-voz do CDS-PP alertou Centeno para as "consequências penais" de mentir a uma comissão de inquérito. O centrista lembrou a possibilidade de Centeno "cair na moldura penal de perjúrio", uma vez que os inquéritos parlamentares têm "poderes idênticos aos dos processos judiciais".

"As consequências penais são cair na moldura penal de um crime de prejúrio, de mentir, de prestar falsas declarações. São identicas às que existem num processo judicial porque a comissão de inquérito tem poderes idênticos aos dos processos judiciais", acrescentou.

O documento apresentado pelo CDS como a prova de Centeno mentiu

A polémica foi levada na quarta-feira ao parlamento pelo PSD e pelo CDS-PP, que confrontaram o primeiro-ministro com um artigo do jornal online ECO, revelando uma carta de António Domingues ao ministro Mário Centeno, de novembro, segundo a qual haveria um compromisso dispensar os ex-gestores de entregarem a declaração ao Tribunal Constitucional.

No debate, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que Mário Centeno "não mentiu" e acrescentou que não há qualquer prova que demonstre a existência de tal compromisso.