Marques Mendes rejeita qualquer ligação ao caso dos vistos gold. O ex-presidente do PSD alega que nunca exerceu «funções de gerência» na empresa JMF, abrangida pela investigação à atribuição de vistos gold' e que esta não tem atividade desde 2011. Ora, o programa de atribuição de residência em troca de investimento no país foi criado depois.

«Pelo menos desde 2011, ainda antes da criação de vistos gold, que esta sociedade na prática não tem atividade, no meu caso desde 2011 que não fui convocado para qualquer reunião, não fui a nenhuma reunião, não tomei nenhuma decisão, não auferi um único euro»

O ex-ministro social-democrata falava durante o seu habitual período de comentário ao sábado, na SIC, reagindo à notícia do jornal Público, que dá conta que a a empresa de consultoria e gestão de empresas «JMF - Projects & Business», sediada em Lisboa, é abrangida na Operação Labirinto.

Ora, essa empresa tem como sócios Marques Mendes, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, Jaime Gomes e Ana Luísa Figueiredo, filha do presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, que foi detido na sequência de buscas efetuadas na quinta-feira no Ministério da Justiça.

Marques Mendes explicou ter entrado nesta empresa «com mais três pessoas depois de ter deixado a vida política ativa», mas sublinhou que nunca exerceu «qualquer cargo» e ,«por razões da vida», acabou «por não prestar qualquer atividade profissional a esta sociedade», cita a Lusa.

«Desde 2011 que eu próprio pensava que ela estava inativa e desativada, pelos vistos não está formalmente, pensava porque desde 2011 nunca fui a nenhuma reunião, nunca fui a nenhum encontro, não auferi nenhum euro». A  sociedade «foi criada em 2009», quando «nem se falava nem havia vistos gold». «Quero aqui dizer de forma muito clara que enquanto sócio desta sociedade nunca tive uma reunião, um contacto, uma diligência, nem sequer uma conversa sobre vistos gold, seja dentro da sociedade, seja fora da sociedade, nada de nada»


Marques Mendes fez também questão de declarar que não intercedeu por terceiros na questão dos vistos dourados: «Não abri portas nenhumas, em matéria de vistos gold ninguém me pediu nada, nem eu pedi nada a ninguém».

O antigo deputado manifestou ainda «uma grande surpresa» pelas detenções efetuadas neste processo e revelou conhecer Jaime Gomes e António Figueiredo «há muitos anos». «Se no final das investigações se vier, o que espero que não aconteça, a apurar responsabilidades será para mim um desgosto, eu diria um enorme desgosto mesmo».

Em tom categórico, Marques Mendes afirmou por mais do que uma vez que «quem não deve não teme». «Eu pauto-me por princípios e na vida tem de haver princípios, cada um responde pelos seus atos e em democracia, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei, sejam amigos, sejam conhecidos, sejam parentes, sejam familiares, seja quem for, a lei é igual para todos e se alguém comete um ilícito tem de haver mão pesada da parte da Justiça», defendeu.

Sobre a sua relação com o ministro Miguel Macedo, de quem é amigo, o social-democrata advogou que é preciso «separar o plano pessoal do plano político». «Ele não é objeto de nenhuma investigação e não é culpado de nada, do ponto de vista político a questão que se pode eventualmente colocar é se esta situação diminui ou não as condições de autoridade para que um ministro exerça as suas funções, nessa parte só o próprio pode analisar».

Marques Mendes afirmou ter Macedo «na conta de uma pessoa muito séria» e que «não é agarrada ao poder». «Se ele nalgum momento constatar que está diminuído nas suas condições de autoridade para o exercício das funções, não tenho nenhuma dúvida de que ele próprio terá a iniciativa de sair», concluiu.