O secretário-geral do PCP considera o acordo europeu para uma união bancária mais uma «alienação de soberania» por parte de Portugal, visto tratar-se de um importante «instrumento para o desenvolvimento económico» de cada Estado-membro.

«O nosso sistema bancário, pela perda da própria autonomia, alienando a nossa soberania de política bancária, leva a que haja a preocupação de salvação dos bancos, mas deixamos de tê-la como instrumento para o desenvolvimento económico, de forma autónoma, numa clara alienação de mais uma parcela da nossa soberania», disse Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava após reunião com representantes da Federação Nacional de Baldios, na sede do PCP, em Lisboa, e demonstrou um «juízo crítico» porque «a preocupação central que esteve ali colocada foi continuar a ajudar a banca, esquecendo que esse instrumento também vai ser condicionado cada vez mais por essas políticas».

O primeiro-ministro saudou em Bruxelas o acordo entre Parlamento Europeu e o Conselho, alcançado na véspera, sobre o mecanismo único de resolução bancária, destacando o papel da eurodeputada portuguesa socialista Elisa Ferreira.

Jerónimo de Sousa apontou ainda as eleições europeias de 25 de maio como «uma oportunidade para rejeitar a Política Agrícola Comum (PAC)», de forma a «defender a pequena e média agricultura», solidarizando-se com a manifestação de 3 de abril, em Lisboa, organizada pela Confederação Nacional da Agricultura.

«O projeto de lei agora entregue na Assembleia da República configura mais um assalto desse ataque aos baldios, desde logo, pelo processo usado. O Governo andou durante quase um anua preparar uma proposta de lei que, à última hora, entregou aos grupos parlamentares para afastar de si a contestação que se adivinhava perante os conteúdos ofensivos aos direitos dos compartes. O Ministério da Agricultura, numa estranhíssima relação institucional, funcionou como gabinete técnico dos grupos parlamentares de PSD e CDS», vincou.