O secretário-geral do PCP e o coordenador do BE manifestaram-se terça-feira contra os cortes nas pensões e reformas acima de 419 euros e prometeram lutar contra a política do Governo em todas as frentes.

Os dirigentes dos dois partidos, Jerónimo de Sousa e João Semedo, respetivamente, de esquerda falavam aos jornalistas durante uma visita às Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita, deixando claro que existem algumas divergências entre ambos, mas que estão unidos na luta contra a política do Governo PSD/CDS.

«O corte nas pensões que o Governo está determinado a impôr no Orçamento do Estado para 2014 é mais uma sacrifício brutal, porque cortar 10% nas pensões, para quem trabalhou uma vida toda a descontar, para no final da sua vida ter uma vida mais tranquila e com alguma dignidade, é uma brutalidade social», disse João Semedo, o primeiro a marcar presença nas Festas da Moita.

«Como se sabe, 400 euros mensais é ainda hoje em Portugal um salário, uma pensão, que não garante o mínimo de sobrevivência. O Governo sabe que vai cortar abaixo dos limiares da pobreza, vai cortar aos mais pobres 10% nas pensões e nas reformas. É verdadeiramente inaceitável e nós faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir essa brutalidade social», acrescentou João Semedo, assegurando que o BE «recorrerá a todos os instrumentos que tem ao seu dispor para impedir este corte nas pensões e nas reformas».

O líder comunista, Jerónimo de Sousa, também se manifestou pouco depois contra os cortes nas pensões e nas reformas, considerando mesmo que se trata de uma medida inaceitável e que constitui «um escândalo».

«Consideramos que isto é um escândalo, tendo em conta que, recentemente, era o próprio Passos Coelho que afirmava que íamos assistir a uma viragem, a um novo ciclo. Um novo ciclo que acaba por ser sempre um velho ciclo, de aumento da exploração, aumento da pobreza, de se ir buscar dinheiro a quem trabalha», disse.

«Podemos dizer: não há dinheiro. Mas há sempre dinheiro para os BPN, para as PPP (Parceria Público-Privadas), para as SWAP. Há sempre dinheiro para privilegiar quem é privilegiado; nunca há dinheiro para quem trabalha, para quem vive dos seus pequenos rendimentos», contrapôs Jerónimo de Sousa.

No dia em que disputaram o eleitorado do concelho da Moita, Jerónimo de Sousa e João Semedo deixaram claro que, apesar das divergências, mantêm uma boa relação e que ambos se opõem à política do governo.

«Temos uma relação bastante amigável, bastante fraternal, como deve ser entre pessoas que se respeitam, que lutam na mesma margem da vida - o lado esquerdo da vida - e é isso que é importante sublinhar: as convergências. E não as divergências», disse João Semedo.

«A nossa preocupação não é o Bloco de Esquerda, é esta política de direita», respondeu, pouco depois, o líder comunista, no relato da Lusa.