O secretário-geral do PCP defendeu esta terça-feira que a saída da troika «é meramente formal», alegando que a atual política vai continuar, e manifestou-se indisponível para entendimentos nesse contexto, considerando que «isso significaria aceitar a paz dos cemitérios».

No final de uma reunião com o primeiro-ministro sobre a conclusão do atual programa de resgate a Portugal, Jerónimo de Sousa rejeitou ainda a associação proposta pelo PSD entre um eventual aumento do salário mínimo e a produtividade, considerando que essa «é uma opção de fundo e uma opção de classe».

Em declarações aos jornalistas, na residência oficial de São Bento, em Lisboa, o secretário-geral do PCP contrapôs que, em vez de olhar para a produtividade «pelo lado dos custos do trabalho», é preciso olhar para os custos de fatores de produção como a energia, os combustíveis, as comunicações e os transportes.

«Nós consideramos que se justifica o aumento dos salários, designadamente o salário mínimo nacional, e se querem aumentar a competitividade das empresas, então pensem nestes custos que eu referi», acrescentou Jerónimo de Sousa.

«Para aí, nem uma palavra, porque se trata de grandes interesses, mas sempre a pensar como é que hão de encurtar os salários, reduzir direitos, liquidar, se necessário, a contratação coletiva», criticou.

Depois de ter estado reunido mais de uma hora com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o secretário-geral do PCP afirmou que «o Governo, no essencial, visa prosseguir e aprofundar a mesma política que nos tem conduzido a esta situação».

«Não vai haver um pós-troika, com ou sem programa cautelar. No essencial, [vai manter-se] o colete de forças em que meteram Portugal, designadamente com a aprovação do tratado orçamental que impõe condições, supervisão, monitorização, vigilância e até o direito de alienar a nossa soberania orçamental com intervenção direta na questão do Orçamento do Estado», sustentou.

Jerónimo de Sousa reforçou a ideia de que «o final deste período formal deste pacto de agressão, do chamando memorando de entendimento, de facto, é meramente formal, porque no essencial as mesmas orientações, a mesma política social vai continuar».