O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou este sábado em Montemor-o-Velho o Governo por ter enviado para o Parlamento, «pela calada», na sexta-feira, a proposta de Lei para a convergência de pensões entre os setores público e privado.

«Ontem [sexta-feira], pelas sete da tarde, quando fechava ao fim de semana, pela calada da sexta-feira», é que o Governo entregou na Assembleia da República «a proposta de cortes nas pensões para a administração pública», criticou.

Uma proposta, sublinhou Jerónimo de Sousa, que prevê «cortes brutais sobre quem trabalhou e descontou uma vida inteira», nomeadamente «nas pensões de sobrevivência, particularmente no setor da administração pública».

Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa abordou a proposta de Lei do Governo que estabelece a convergência de pensões entre o setor público e o setor privado.

O diploma, aprovado na quinta-feira, em Conselho de Ministros e entregue no Parlamento na sexta-feira, prevê reduzir em 10% as pensões dos funcionários públicos de valor superior a 600 euros.

O líder comunista lembrou hoje que o setor público, o alvo desta medida, também foi «fustigado, recentemente, pelo aumento brutal dos impostos».

A coligação governamental PSD/CDS-PP quer, «de facto, levar ao empobrecimento dos trabalhadores, dos reformados e dos pensionistas, à vez», criticou Jerónimo de Sousa.

«Umas vezes contra os trabalhadores do setor privado, outras vezes contra os trabalhadores da administração pública, mas sempre com a ideia de rebaixar, de puxar para baixo, aumentando o empobrecimento», sublinhou.

Não é, pois, «por acaso, que os relatórios e estatísticas hoje indicam que mais de dois milhões de portugueses já vivem abaixo do limitar da pobreza», frisou.

Para Jerónimo de Sousa, a política do Governo liderado por Pedro Passos Coelho «não é de incompetência, como diz o PS», mas é sim «uma política de grande consciência de classe, ao serviço dos poderosos».

No seu discurso, o líder comunista insistiu na ideia, que já tem deixado noutras ocasiões, de que a ¿troika¿ adiou as oitava e nona avaliações a Portugal para que as respetivas conclusões «não sejam conhecidas dos portugueses antes de dia 29», ou seja, antes das eleições autárquicas.

O mesmo acontece com o Governo, que «procura esconder aquilo que vai estar no conteúdo» da proposta de Orçamento do Estado para 2014, segundo Jerónimo de Sousa.

«Já está definido o montante, já estão definidos os alvos, só falta precisar a forma como vão concretizar esse plano e não o querem dizer antes de dia 29», cita a Lusa.