O secretário-geral do PCP criticou, esta segunda-feira, a 10ª avaliação ao programa de assistência económico-financeira a Portugal por parte da troika porque considera que aquela entidade quer «continuar a assaltar direitos» dos portugueses.

«A verdade é que a troika quer continuar a assaltar os direitos dos trabalhadores, agora em duas áreas importantíssimas: liquidação da contratação coletiva e simplificação brutal de despedimentos. Ou seja, não precisariam de baixar os salários no setor privado porque, através desses instrumentos, levaria ao empobrecimento, de direitos e de salário», condenou.

«Para a troika, naturalmente, é positiva (a avaliação), já que conseguiu que este Governo continue a executar este pacto de agressão, esta política de saque dos trabalhadores, reformados e pensionistas. Esta política de transferência de lucros fabulosos para as grandes fortunas nacionais e estrangeiras. É razão para a troika se sentir satisfeita», continuou.

PS: mais incertezas para os portugueses

O dirigente socialista Eurico Brilhante Dias considerou que a conclusão do 10º exame da troika confirma a trajetória de austeridade para 2014, com o Governo a falar a diferentes vozes e deixar ainda mais incerteza nos portugueses.

«A conclusão deste 10º exame regular é a confirmação da trajetória da austeridade para 2014 e é também a confirmação de que o Governo fala a diferentes vozes», afirmou o membro do secretariado nacional do PS Eurico Brilhante Dias, numa declaração aos jornalistas na sede do partido.

Falando poucos minutos após o fim da conferência de imprensa do vice-primeiro ministro, Paulo Portas, e da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre a conclusão do 10º exame regular da troika, Eurico Brilhante Dias concluiu que o resultado desta avaliação é o «habitual»: «A avaliação é positiva e a austeridade continua».

«O 10º exame regular termina como terminou o 9º. Em 2014, os portugueses vão sofrer cortes nas pensões, cortes nos salários e cortes no Estado social», sublinhou.

A propósito da acusação de que o Governo fala a «diferentes vozes», o dirigente nacional do PS recordou que enquanto Paulo Portas fez várias referências ao facto do programa de assistência financeira terminar dentro de cinco meses, a ministra das Finanças apenas «deixou incerteza».