A renegociação da dívida é uma "necessidade estrutural" do país, defendeu na quinta-feira à noite o secretário-geral do PCP num comício em Queluz, no concelho de Sintra, contra a submissão às políticas europeias.

Portugal não pode pagar anualmente em juros quase tanto ou mais do que gasta em saúde e educação", afirmou Jerónimo de Sousa, perante umas largas dezenas de militantes que preenchiam o salão dos Bombeiros Voluntários de Queluz.

O comício "Basta de submissão à União Europeia e ao Euro", marcado para as 22:00 de quinta-feira, começou com mais de 45 minutos de atraso, devido ao jogo do Europeu de futebol, entre Portugal e a Polónia, transmitido em ecrã gigante no piso térreo do quartel dos bombeiros.

O dirigente comunista, que chegou logo após a sala vazia encher com os militantes que assistiam ao jogo, defendeu que o país "precisa de renegociar a dívida pública, nos seus prazos, juros e montantes, que reduza substancialmente o volume de encargos anuais e o endividamento externo, [e] liberte fundos para o investimento e as funções sociais do Estado".

Mas não basta combater o endividamento, é preciso combater as causas do endividamento. É preciso pôr o país a produzir e a crescer", salientou Jerónimo de Sousa.

O desenvolvimento do país só será possível através de políticas que promovam o investimento e o aumento da produção nacional, libertando-se dos condicionalismos do Pacto de Estabilidade e Crescimento e do Tratado Orçamental, entre outros mecanismos europeus, advogou.

Jerónimo de Sousa reiterou as críticas às recentes afirmações do ministro das Finanças alemão, que classificou como "manobras de ingerência, intriga e desestabilização", e recusou a ideia de um referendo da porta-voz do Bloco de Esquerda (BE).

Propor neste quadro, como fez o BE, um referendo 'para tomar posição contra as sanções' significa admitir a possibilidade de capitulação perante a União Europeia, admitindo que por via de referendo podem ser legitimadas as sanções ou outras imposições europeias", frisou.

O dirigente comunista reconheceu que "têm sido dados passos positivos" com as políticas desenvolvidas nestes primeiros meses de governação socialista, com apoio parlamentar de esquerda, mas notou que o país precisa de "uma verdadeira rutura com o rumo até hoje seguido por sucessivos governos de PSD, CDS e PS".

Na conclusão da sua intervenção, Jerónimo de Sousa assegurou que o PCP continuará a trabalhar "de forma séria, empenhada e responsável" para abrir caminho a "uma política patriótica e de esquerda".

Os militantes, que a espaços aplaudiram ou entoaram slogans como "assim se vê a força do PC", cantaram no final o "Avante", a "Internacional" e o Hino de Portugal, deixando em escassos minutos o salão dos bombeiros arrumado e sem as bandeiras do partido e algumas nacionais.