O líder comunista, Jerónimo de Sousa, reiterou hoje a defesa do descongelamento das carreiras no setor público, apelando à negociação entre o executivo socialista e os trabalhadores em causa.

Primeiro, é necessário descongelar as carreiras dos trabalhadores que têm sido prejudicados durante estes últimos anos. A forma de o fazer implica um processo de negociação e diálogo com as organizações representativas e seus sindicatos que leve à concretização de aspirações perfeitamente legítimas", afirmou, durante uma "mini arruada" autárquica em Vendas Novas, distrito de Évora.

O secretário-geral do PCP não enjeitou a eventual progressividade do processo de descongelamento preconizada pelo primeiro-ministro, António Costa, em entrevista publicada hoje pelo Diário de Notícias, nem declarou a necessidade de reposição imediata dos rendimentos alvo de congelamento.

O chefe do executivo do PS declarou que 2018 será o ano do arranque do descongelamento progressivo das carreiras na administração pública e no setor empresarial do Estado e prometeu não ir haver qualquer aumento da carga fiscal.

"Não me pronuncio sobre cenários nem me quero substituir aquele que deve ser o papel do Governo e dos sindicatos no processo de negociação aberto, construtivo, que acabe por ter resultados positivos para os trabalhadores", completou o líder da Coligação Democrática Unitária (CDU, que junta comunistas e Partido Ecologista "Os Verdes").

PCP desvaloriza “ratings” e preferia “boa notícia” de um Portugal soberano

O secretário-geral do PCP desvalorizou, entretanto, a avaliação positiva de uma agência de notação financeira à dívida soberana portuguesa e desejou, ao invés, ouvir a "boa notícia" de que o país se tornara "soberano" económica e monetariamente.

A boa notícia que poderia haver era Portugal assumir a sua soberania no plano económico e monetário. Isso sim, seria uma boa notícia porque é esse caminho que determinará, independentemente desses avisos, a reposição de rendimentos e direitos do povo português", disse.

A agência de notação financeira Standard and Poor's decidiu sexta-feira tirar Portugal do 'lixo', revendo em alta o 'rating' atribuído à dívida soberana portuguesa de 'BB+' para 'BBB-', um primeiro nível de investimento.

"O caminho é de afirmação nacional, de contar com as próprias forças, de construir o caminho de um Portugal soberano, desenvolvido, de progresso, com uma economia em crescendo e o emprego a aumentar. Não deleguemos noutros aquilo que pertence aos portugueses", insistiu o líder da Coligação Democrática Unitária (CDU), que integra comunistas, ecologistas e independentes.

Com esta revisão em alta para 'BBB-', com perspetiva 'estável', Portugal volta a ter uma notação de investimento, atribuída por uma das três principais agências de 'rating' mundiais.

Desde 2012 que a agência atribuía à dívida soberana portuguesa um rating 'BB+', a nota mais elevada de não investimento, com uma perspetiva 'estável'.

Jerónimo de Sousa questionou ainda "qual a natureza e quem determina as decisões dessas agências, que acabam por pressionar cada país".