Por: tvi24 / AM | 26- 4- 2009 16: 43
O secretário-geral do PCP acusou este domingo o Presidente da República de se limitar «a passar conselhos e atestados»,
esquecendo as suas responsabilidades pela situação do país, em resultado das suas políticas enquanto primeiro-ministro, avança
a Lusa.
«Ainda ontem [sábado] ouvi o Presidente da República a passar conselhos e atestados. Mas, quantos decretos
não assinou para privatizações, para a liquidação do aparelho produtivo. Há que assumir as responsabilidades. Só discurso,
só garganta, não chega», afirmou o líder comunista, num almoço comemorativo do 25 de Abril em Fanhões, no concelho de Loures.
Numa
intervenção com várias referências ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa falou ainda de outro
«conselho avisado» que o chefe de Estado deixou no sábado, no seu discurso na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, na
Assembleia da República, quando apelou aos partidos para fazerem uma contenção de custos nas campanhas eleitorais.
«Estamos
de acordo», disse o secretário-geral do PCP, garantindo que «os milhares e milhares de candidatos da CDU não gastarão o que
gastou o candidato Cavaco Silva», nas últimas eleições presidenciais.
«Portugueses impedidos de se pronunciar»
Quanto
ao apelo também deixado no sábado por Cavaco Silva contra a abstenção nas eleições que irão decorrer este ano - europeias,
legislativas e autárquicas -, Jerónimo de Sousa corroborou este outro «conselho avisado» do chefe de Estado, mas recordou
a sua posição quando o PCP pediu um referendo sobre o Tratado de Lisboa.
«O que é que o PS, o PSD, o Presidente da
República disseram? Que os portugueses estavam impedidos de se pronunciar», lembrou.
O Governo foi outro dos alvos
dos ataques de Jerónimo de Sousa, que acusou o executivo de maioria socialista de utilizar «todos os artifícios» para remeter
para a crise internacional a responsabilidade da actual situação do país.
«Querem-nos convencer que tudo é resultado
da crise, nada tem a ver com a sua política», afirmou.
Contudo, acrescentou Jerónimo de Sousa, a crise internacional
não explica «a dimensão da crise, nem as dificuldades que o país atravessa».
A este propósito, o secretário-geral
comunista recordou algumas das políticas do Governo que agravaram a situação do país, como o novo código do trabalho ou os
cortes no subsídio de desemprego.
«A coberto da grave crise, os governantes tudo têm feito para escamotear as suas
responsabilidades», insistiu, mostrando-se pessimista quanto ao futuro.
«Portugal vai continuar a patinar em recessão
por tempo ainda não determinado», declarou, acusando aqueles que «governaram contra Abril» por terem levado Portugal à actual
situação, onde as desigualdades sociais são cada vez maiores e as famílias cada vez estão mais endividadas.
«O Governo
não está a fazer nem o necessário, nem o possível, nem o justo», continuou, anunciado que o PCP vai voltar a apresentar no
Parlamento um diploma para «alargar de forma significativa o subsídio de desemprego».
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