O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) admite que a principal razão para as negociações com o Partido Socialista (PS) têm como principal motivo “a possibilidade de afastar o PSD e o CDS do Governo e encontrar uma outra solução dentro do plano constitucional”.
 

“Não é coisa pequena, tendo em conta o mal que fizeram aos trabalhadores, aos portugueses e ao país”, disse Jerónimo de Sousa na entrevista deste sábado na TVI e na TVI24.

 
O dirigente comunista assegura que essas conversações só tiveram início após as eleições e “não existiam» conversas antes das eleições entre o PCP e o PS. “O primeiro contacto que tivemos com o partido socialista foi aquando da deslocação do PS à sede do PCP”, sublinhou.
 
Admitindo que há, dentro do universo comunista, quem discorde destas negociações com os socialistas, Jerónimo de Sousa sublinha que a “resolução para negociar com o PS foi votada com unanimidade no Comité Central do PCP”.
 
O apoio a um Governo de Esquerda “não invalidada observar os conteúdos concretos”. “Estamos aqui de boa-fé. Consideramos que tem de haver uma resposta imediata para um futuro Governo, atendendo à vontade manifestada pela maioria dos portugueses”.

Jerónimo de Sousa recusa a ideia de uma coligação negativa e sublinha que “as negociações estão bem encaminhadas”. Ainda assim, repetidamente e apesar da insistência de Judite de Sousa, recusa especificar temas em que o entendimento com o PS esteja fechado ou quase fechado.
 
O secretário-geral do PCP atacou o discurso de Cavaco Silva, aquando da indigitação de Pedro Passos Coelho, na última quinta-feira: “ Foi o pior discurso de um Presidente da República desde 74. Uma postura de arrogância, discriminatória. (…) Invoca argumentos inaceitáveis. (…) O Professor Cavaco Silva, como cidadão pode ter as opiniões que quiser. Não pode é como PR, que jurou respeitar a constituição, assumir uma posição de proteção de nenhum partido.”
 

“Estar no Governo não é determinante”

 
Jerónimo de Sousa assegura que o PCP não está à procura de poder e nem quer, a todo o custo, assumir o poder. O dirigente comunista sublinha que as negociações com o PS não implicam alterações na génese do partido.
 

“O PCP não anda à procura de lugares, nem de privilégios. Para nós, estar no Governo não é determinante.”

 

“O PCP mantém a matriz marxista-leninista. Neste processo que está em curso, não abdicamos da nossa identidade, de um partido com uma política alternativa patriótica e de Esquerda.”

 
“Queremos garantir aos telespetadores da TVI24 que o Partido Comunista não abdicou em nada daquilo que é a sua matriz e a sua identidade, à custa de uma parcela de poder”, sublinhou.
 
Na mesma entrevista, conduzida por Judite de Sousa, Jerónimo de Sousa assegura que não ficou desiludido com o facto de a CDU ter sido ultrapassada pelo Bloco de Esquerda. O secretário-geral do PCP sublinha que os objetivos da CDU eram crescer em número de mandatos na Assembleia da República e derrotar o Governo de Direita. Objetivos que, diz, foram ambos conseguidos.