
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou, este sábado, o Governo de contar uma história da «carochinha» aos portugueses na questão da reintrodução do pagamento dos subsídios de Natal e de férias à função pública e aos reformados.
Em Coimbra, no encerramento da sétima assembleia regional do partido, Jerónimo de Sousa acusou o executivo de Passos Coelho de ter «um projeto de afundamento do país, assente numa falaciosa propaganda que anuncia um curto período de sacrifícios, mas que à medida que o tempo passa vai alargando com afirmações capciosas».
Segundo o líder comunista, «o ministro das Finanças, secundado por Passos Coelho, no seguimento do Conselho de Ministros que aprovou o documento de estratégia orçamental, vieram contar uma espécie de história da carochinha acerca dos subsídios de Natal e das Férias».
«Confirmaram, depois de muitos lapsos e trocadilhos, que os subsídios serão repostos a partir de 2015 a um ritmo de 25 por cento ao ano, mas agora dizendo mais: diz Vítor Gaspar que esta é uma hipótese de trabalho, não um compromisso político, nem uma decisão política que estará condicionada pela existência de espaço orçamental», enfatizou o dirigente.
Para Jerónimo de Sousa, «trata-se da mais ardilosa e fraudulenta forma de jogar com a vida dos portugueses, com o ar mais sério deste mundo». «Amanhã dirão que a situação se complicou ou que não é possível concretizar a hipótese de trabalho: quem é que pode acreditar nestes manobradores de expetativas sem princípios», questionou o secretário-geral do PCP.
O dirigente comunista lembrou que, antes das eleições, o primeiro-ministro, Passos Coelho, dizia que acabar com o 13.º mês era um «disparate, para de seguida fazer o que fez, depois passou a dizer que ¿se nós pudéssemos não retirávamos os subsídios aos portugueses¿».
Depois, acrescentou, vieram dizer que «¿vamos tentar repor os subsídios o mais depressa possível¿, uma frase pomposamente repetida com que o Governo procura atirar poeira aos olhos dos portugueses». «O truque é velho, primeiro diz-se que estávamos perto da banca rota, que não havia dinheiro para pagar a professores, a médicos às polícias, que o défice público era muito grande, para criar um clima de aceitação e resignação perante draconianas medidas sobre os salários, as pensões, os subsídios e serviços públicos», sublinhou.
Perante a plateia que o escutava, Jerónimo de Sousa defendeu que o Governo tem condições para repor imediatamente os subsídios de férias e de Natal e outros direitos sem «agravar o défice orçamental».