O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, considerou que querer vencer nos 308 municípios nas eleições autárquicas de domingo é ter “mais olhos que barriga”, sublinhando que a CDU “tem os pés bem assentes na terra”.

Compreenderá que, às vezes, tem-se mais olhos que barriga. Independentemente desse comentário estamos confiantes. Ontem [terça-feira) andámos pelo Alentejo, hoje aqui na região de Setúbal. A prova provada de que esta confiança tem os pés bem assentes no chão é a campanha, a participação, o envolvimento, o apoio à CDU, que não nos descansa até dia 01 [de outubro], mas dá muita força para continuar a acreditar que é possível manter posições", disse Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP falava aos jornalistas à margem de uma "arruada" da CDU, que junta comunistas, "Os Verdes" e cidadãos independentes, na Cruz de Pau, no concelho do Seixal, um dos 11 municípios liderados pelos comunistas desde há 41 anos, tal como Almada, Arraiolos, Avis, Castro Verde, Moita, Montemor-o-Novo, Mora, Palmela, Santiago do Cacém e Serpa.

Na terça-feira, numa ação de campanha no Metropolitano de Lisboa, entre Odivelas e o largo do Rato, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, voltou a negar qualquer pacto de não agressão com o PCP, sublinhando que quer "é ganhar as 308 câmaras".

Enquanto o decisor não decidir, estamos a falar do povo português que vai às urnas, não podemos garantir, mas há o sentimento de que é possível manter posições também aqui nesta grande Área Metropolitana de Lisboa", sublinhou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral comunista disse ainda compreender que "todos possam puxar a brasa à sua sardinha", nomeadamente o BE.

Contudo, acrescentou, o importante "é olhar para a frente e pensar em como reforçar a CDU".

Esta esperança advém da forma de fazer campanha, interagir, ouvir o incentivo, ouvir a crítica. É uma campanha muito particular. Confiança, mas ainda faltam 60 horas para o final oficial da campanha", afirmou.

Jerónimo de Sousa foi ainda questionado sobre o desempenho do PSD e do seu líder, Pedro Passos Coelho, mas escusou-se a fazer comentários.

O secretário-geral comunista disse também não querer comentar as relações entre Portugal e Angola.