O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou este domingo que um Governo que aboliu o feriado nacional do 1.º de Dezembro não está em condições de sentir nem de representar o povo.

«Um Governo como o que hoje governa o país que decide abolir o feriado do 1.º de Dezembro que evoca 1640 e festeja o Dia da Restauração da Independência, não está em condições de interpretar o sentir de um povo e de o representar», afirmou.

Jerónimo de Sousa defendeu esta posição numa intervenção sobre a soberania e a independência nacionais, durante uma sessão pública inserida nas comemorações do centenário do nascimento do antigo secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal, num hotel de Lisboa.

Segundo o secretário-geral do PCP, Portugal tem sofrido «crescentes e sérias limitações no seu desenvolvimento soberano, nomeadamente no quadro da União Europeia» e está confrontado com «uma direta intervenção estrangeira na vida do país», o que confere «manifesta atualidade» à questão da soberania e da independência nacionais.

Jerónimo de Sousa acusou o executivo PSD/CDS-PP de dar seguimento a «uma política de submissão e abdicação nacional concretizada nas últimas quase quatro décadas».

«Uma política que se manifesta em todos os domínios da nossa vida coletiva, mesmo nas questões de elevado significado simbólico como são as datas marcantes do percurso deste povo secular que somos e que se orgulha da sua história, particularmente aquelas que celebram a sua independência e afirmam a vontade soberana de um povo que quer ser livre, como livres devem ser os outros povos de seguir o seu caminho, e as vê desvalorizadas por um Governo sem assomo de dignidade, coragem e brio patriótico», acrescentou.

O secretário-geral do PCP falou mesmo de um Portugal «colonizado no âmbito da União Europeia e em geral pelo imperialismo».

Mais à frente, Jerónimo de Sousa defendeu que, «como Álvaro Cunhal e o PCP alertaram, a União Europeia, a União Económica e Monetária e o euro e este processo de integração concebido e concretizado como instrumento do grande capital de domínio do continente europeu não foram nem serão a salvação do país».

«Antes se confirmam como um entrave ao desenvolvimento soberano de Portugal e das condições de vida dos portugueses. Por isso temos afirmado que esta União Europeia não é reformável, que a construção de uma outra Europa dos trabalhadores passará obrigatoriamente pela derrota do processo de integração capitalista europeu e não será compatível com as políticas de austeridade e colonização económica», completou.