O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considera que os dois candidatos à liderança do PS, António José Seguro e António Costa, «estão de acordo no essencial», não obstante «diferenças de estilo».

«O que é fundamental e que os portugueses têm de perceber e exigem, com certeza, do PS» é saber qual a política que querem realizar, mas, «tanto Costa como Seguro, com todas as diferenças de estilo, no essencial estão de acordo», disse.

O líder comunista disse admitir que, «no plano da retórica, no plano da declaração geral, das boas intenções, estilo e forma», haja «diferenças» entre os dois candidatos às primárias do PS, agendadas para final de setembro.

Contudo, «a preocupação do PCP é que o PS, no essencial, com um ou com outro, prefere continuar a sua identificação e comprometimento com a política de direita».

Por isso, questionado pelos jornalistas sobre uma eventual aliança com os socialistas, no futuro, Jerónimo de Sousa frisou que, para tal acontecer, o PS teria de fazer uma rutura com «a política direita».

«Está afastada qualquer coligação desde que se mantenha aquilo que foi um facto durante estes 37 anos. PS e PSD acusam-se mutuamente, mas, nestes 37 anos, é quase a dividir por meio as responsabilidades» de cada um na governação do país, acusou.

O secretário-geral do PCP falava aos jornalistas durante uma visita à Feira de Agosto em Grândola, na sexta-feira à noite, onde participou num jantar com militantes e simpatizantes do partido.

Sem querer tecer muitos comentários em relação às eleições internas do PS, Jerónimo de Sousa insistiu que, para o PCP, o «fundamental, mais do que saber de Costa ou de Seguro, é saber se o PS vai persistir numa política de direita, com entendimentos à direita, ou se quer uma rutura e uma mudança».

Sobre os debates televisivos entre os dois candidatos socialistas, Jerónimo disse duvidar que os possa acompanhar, devido a «razões de agenda», mas assumiu não ter «grandes expetativas» em relação aos mesmos.

À hora a que o líder do PCP chegou à feira, já o secretário-geral do PS, António José Seguro, visitava o mesmo certame, mas os dois líderes partidários não se chegaram a cruzar.

«Trata-se de uma coincidência» as visitas acontecerem quase em simultâneo, disse o líder do PS, quando questionado pelos jornalistas, frisando ainda estar sempre disponível para dialogar com o PCO, assim como com os outros partidos com assento parlamentar.

Mas, sublinhou, «o diálogo não pode significar abandonar convicções de princípios».