O secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acredita que a procissão "ainda vai no adro" no caso de alegadas irregularidades na gestão da Raríssimas, na Moita, mas exige o "apuramento rigoroso da verdade".

"Aquilo que dizemos é que deve haver apuramento rigoroso da verdade, doa a quem doer. Tirem-se as ilações políticas necessárias sobre atitudes, comportamentos e questões que, neste momento, estão menos claras", disse Jerónimo de Sousa durante um encontro com pensionistas e reformados, em Pinhal de Frades, no concelho do Seixal.

"Creio que a procissão ainda vai no adro, mas o que poderíamos dizer é que não se pode silenciar esta questão na medida em que, pela visibilidade que teve, deixou muitos portugueses indignados, que exigem o apuramento da verdade, apuramento de responsabilidades e, consequentemente, as medidas necessárias a essas responsabilidades, particularmente a quem permitiu que essa situação se verificasse", acrescentou.

Embora garanta que o PCP não quer fazer juízos de valor nem condenar ninguém antes de qualquer julgamento, Jerónimo de Sousa considera que se trata de um caso que "não pode ficar na gaveta como mais um episódio infeliz".

"Nós valorizamos as IPSS na sua ação complementar do plano de ação social. Não confundimos este caso [da Raríssimas] com a generalidade das IPSS. Mas, naturalmente, estamos de acordo com a necessidade de fiscalização, em particular das IPSS que recebem apoios do estado", disse.

O líder comunista, que falava a mais de uma centena de pensionistas e reformados sobre os méritos da ação do PCP nas medidas inscritas no Orçamento de Estado para 2018, que beneficiaram os pensionistas e reformados, sublinhando o papel do PCP em diversas medidas como a reposição do pagamento do subsídio de natal no final do ano e não em duodécimos, acabou por abordar o caso da Raríssimas, durante o período de debate.

Uma reportagem divulgada no sábado pela TVI deu conta de alegadas irregularidades nas contas da Raríssimas, levando à demissão da presidente da associação, Paula Brito e Costa, por suspeita de utilizar fundos da instituição para fins pessoais.

A TVI avançou ainda que o ex-secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado colaborou com a associação como consultor em 2013 e 2015 e que o atual ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, assinou as contas da associação enquanto membro da assembleia geral.

Na terça-feira tanto Paula Brito e Costa como Manuel Delgado apresentaram a demissão dos cargos.

A denúncia da reportagem da TVI levou ainda a uma fiscalização da Inspeção Geral do Trabalho, que está na Casa dos Marcos, Moita - instituição onde funciona a Raríssimas - desde quarta-feira.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisou hoje que a investigação à Raríssimas "não pode levar meses".