"Fazer pagar a quem mais tem, pagar menos a quem menos tem". É por esta máxima que o PCP se guia e, se vier a ser Governo, promete aplicar, segundo o seu próprio líder, Jerónimo de Sousa, que esteve no programa "Tenho uma pergunta para si", na TVI.

"Lucros, dividendos, grandes fortunas, grupos económicos. Estou a falar de grandes fortunas. As camadas médias de pessoas que têm salários e rendimentos recentes já pagam bem"

A partir de que valor PCP fala em grandes fortunas? "Milhões de contos... euros, perdão...", respondeu o líder comunista quando questionado pela jornalista Judite Sousa.

Jerónimo de sousa não quis quantificar exatamente valores. Disse que isso caberia ao Orçamento do Estado futuro a definir uma proposta. Quis, no entanto, fazer uma ressalva:

"Não se preocupe que a nossa proposta não é como PSD e CDS que, mesmo em relação a setores e camadas que por razões de mérito pagaram duramente em termos de impostos (a classe média), querem fazer pagar ainda mais"


O foco do PCP são, sobretudo, os grupos económicos. "Como é que se entende que só para o BPN os portugueses tenham pago 6 mil milhões de euros? Não há dinheiro para manter a TAP pública, não há dinheiro para o salário mínimo nacional...", exemplificou.

Em relação aos jovens, quando questionado pela plateia sobre o seu futuro, Jerónimo de Sousa defendeu que el passará muito pela capacidade de aumentar a produção nacional e combater efeitos "desta política desgraçada" da austeridade.

"Libertar meios, verbas, apra esse investimento, não significa que recusemos o investimento privado. Não é isso. Também precisamos. Mas que não seja aquele investimento de que compra uma empresa que dá lucro", como o caso dos CTT, referiu. 

"Lucros que iam para o Estado vão para as mãos do estrangeiro e nem fica cá, não veio criar postos de trabalho, nova imprensa, fatores de aumento de produção... Já cá estava tudo. O que é transferido é o lucro", insistiu. 

Sobre o país comunista da atualidade que serve de referência e de inspiração ao PCP, Jerónimo de Sousa acabou por recuar ao passado, para lembrar os valores do partido. "Os comunistas pagaram caro com a vida, repressão, tortura, assassinato" os 48 anos de ditadura, porque "resistiam". "Alguns dizem que o PCP é contra a liberdade... Ninguém mais do que o PCP lutou pela liberdade".