O secretário-geral do PCP disse este sábado que aquilo o PS propõe "é alternância" e manutenção da "política de direita". Não uma alternativa, como os socialistas preconizam. 

"Não conseguimos encontrar essa alternativa [no PS]. O que o PS propõe é alternância, o que o PS propõe é ser Governo, mas no essencial é para continuar a mesma política", afirmou Jerónimo de Sousa, num almoço com apoiantes do PCP, na Horta, ilha do Faial, Açores.

Nas eleições deste ano, "não basta derrotar o Governo da direita, é preciso derrotar a política de direita", lembrando "as responsabilidades do PS", que foi "quem convocou" 'a troika' e "subscreveu em primeiro lugar" o "pacto de agressão" com os credores estrangeiros, que depois "a direita concretizou", acrescentou ainda. 

"Podemos calar este facto, que o Partido Socialista também teve responsabilidades particulares neste processo?", O PS não "aprendeu a lição" e não se apresenta às eleições legislativas deste ano com uma política alternativa.


A este propósito, sublinhou que no programa do PS não há "uma linha" sobre a renegociação da dívida e que no caso de outro dos "bloqueios" para o país, o tratado orçamental europeu, que exige "uma redução do défice a mata cavalos", os socialistas apenas usam uma referência "que ninguém percebe": uma "leitura inteligente" desse tratado.

"Consola pouco e descansa pouco os portugueses", disse Jerónimo de Sousa, que considerou que o tratado tem normas e sanções "claras" para quem não o cumprir.

O secretário-geral do PCP criticou também outras propostas do PS, como "o congelamento" de pensões e reformas, a da Taxa Social Única (TSU) (que disse que se traduziria em reformas mais baixas), a política de privatizações ou "a recusa" em recuperar os direitos perdidos dos trabalhadores nos últimos quatro anos.

Em relação aos Açores, Jerónimo de Sousa lamentou que prevaleça "a ideia" de que no arquipélago o PCP "não tem possibilidades" de eleger um deputado, "esquecendo ou omitindo" que "todos os votos vão contar" para reforçar a expressão da CDU.

"É do pequeno que se faz o grande. Aqui nos Açores temos condições para crescer também e para avançar", afirmou, sublinhando que há quatro anos os Açores tinham das taxas de desemprego mais baixas e hoje têm uma das mais elevadas e que a região enfrenta o mercado liberalizado do leite europeu, "inundado" pelos produtos dos países do norte.

"Quem vai dar resposta? PS, PSD e CDS, que votaram Assembleia da República e na União Europeia pelo fim das quotas [leiteiras]?", questionou.

O líder do PCP nos Açores, Aníbal Pires, considerou por seu turno que "a primeira tarefa" do PCP nos Açores nas eleições é mobilizar o eleitorado para votar, dado o elevado abstencionismo, "alimentado" pelo Governo Regional socialista e algumas forças políticas "que gostariam de deixar tudo como está".

Aníbal Pires, que encabeça a lista da CDU pelos Açores nas eleições deste ano, disse ainda que os deputados que têm sido eleitos pela região, pelo PS ou pelo PSD, "dizem uma coisa nos Açores e fazem outra completamente diferente na Assembleia da República", sendo tempo de dizer "lá se fazem, cá se pagam".