O secretário-geral do PCP afirmou esta sexta-feira que o comunicado da Presidência da República sobre os encontros com líderes de PS, PSD e CDS-PP «não parece nada», criticando os socialistas pelo mero «sopro» de credibilidade ao Governo da maioria.

«Não parece nada. É uma pergunta que deve ser dirigida aos comprometidos, aos envolvidos com aquela proposta do Presidente», afirmou Jerónimo de Sousa quando questionado sobre a declaração publicada no sítio oficial na Internet do Presidente da República, Cavaco Silva.

Naquele texto lê-se que os encontros no Palácio de Belém destinaram-se a «conhecer a avaliação que os respetivos partidos fazem do processo negocial visando alcançar um compromisso de salvação nacional».

«Quero sublinhar que a grande incógnita da posição do PS não invalida já um facto político relevante. Era um Governo que toda a gente considerava morto que deveria ser demitido. O PS deu-lhe um fôlego - nem lhe chamo um fôlego -, foi um sopro para credibilizar aquilo que já não tem credibilidade nenhuma. Naturalmente, o desfecho vai ter uma importância maior», afirmou o líder comunista, após reunião com representantes da Intervenção Democrática (ID), na sede do PCP.

O presidente da ID, que se alia ao PCP e aos Verdes (PEV) na Coligação Democrática Unitária (CDU), disse que «não é possível manter por mais tempo a degradação moral, ética e política de que o Governo e a maioria que o apoia têm dado sinal ao país».

«É impossível ter esta situação dramática. Há 15 dias que não há Governo, o país está completamente parado e a situação agrava-se em termos sociais de maneira trágica, mesmo», continuou João Corregedor da Fonseca.

Jerónimo de Sousa prometeu continuar a manter contactos para obter contributos de «muitos patriotas, democratas, independentes, instituições e organizações sociais» com vista a «outro rumo, outra política».

O PCP reuniu-se entre quinta-feira e hoje com dirigentes da CGTP, do BE, do PEV para analisar a crise política e governamental em Portugal.