Jerónimo de Sousa admitiu esta noite, em entrevista na TVI, que o PCP “tudo fará” para que o “próximo Presidente da República cumpra a Constituição”. Questionado sobre se isso significa uma desistência à primeira volta, o líder do PCP, sem nunca o afirmar taxativamente, admite, caso "esteja em causa a democracia", que o “PCP não faltará” e “não fará apelos de votos em branco, antes pelo contrário”.

Ao abordar o tema das presidenciais, na entrevista da TVI, “Tenho uma pergunta para si”, Jerónimo de Sousa, começou por dizer que “o PCP intervirá no modo próprio nas presidenciais com o objectivo de colocar na Presidência da República alguém que cumpra e faça cumprir a Constituição da República”.

Questionado sobre se admite “desistir à primeira volta, à boca das urnas para inviabilizar a vitória do candidato da direita”, o líder do PCP fez questão de sublinhar que as presidenciais são o exemplo de que o partido não é “sectário”.

“Essa questão foi-nos colocada muitas vezes perante a vida, perante a realidade, perante as expectativas e aquilo que lhe posso dizer é que nesse passado, o PCP nunca regateou um apoio, uma solução para bem da democracia, para bem da Constituição, colocando na Presidência da República quem pudesse dar essa contribuição positiva. Aqueles que acusam o PCP de ser sectário de não querer entendimento aqui e acolá, as presidenciais são bem o exemplo daquilo que é este partido”, disse.

Instando a esclarecer se esta era uma resposta afirmativa, Jerónimo de Sousa admitiu o cenário traçado.

“Esteja em causa a democracia, esteja em causa a Constituição, naturalmente, com candidato próprio ou com um desfecho de uma segunda volta, o PCP não faltará, não fará apelos de votos em branco, antes pelo contrário, terá uma intervenção ativa e naturalmente essa dinâmica da campanha, ou pelo menos de uma intervenção própria, tudo fará para que este objetivo que está em tese congressual seja alcançado”


Sobre afinidades, nomeadamente entre Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém, Jerónimo de Sousa recusou “levantar o véu”, justificando que agora é tempo de legislativas e lembrando que são já 17 os candidatos presidenciais. 

Já sobre o atual Presidente a República, Jerónimo de Sousa contestou o que defendeu Cavaco Silva, ao admitir um acordo de incidência parlamentar depois das eleições. Na TVI, o líder do PCP não usou meias palavras para classificar o discurso do chefe de Estado.

"O Presidente da República está claramente a exagerar nos seus poderes que a Constituição da República consagra. Deixemos os eleitores decidir"

Sobre se o PCP pondera coligações, Jerónimo de Sousa disse que "essa imagem de dar a mão não é uma resposta de rigor" e defendeu que o seu partido está preparado para assumir responsabilidades governativas. É só o povo querer.