O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou hoje que vai defender a demissão do Governo e a antecipação das eleições legislativas, na audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, na segunda-feira.

Cavaco Silva «deveria demitir» o Governo e «convocar eleições antecipadas», sendo este «o fundamento do pedido da audiência» com Cavaco Silva, afirmou Jerónimo de Sousa em declarações aos jornalistas numa pedreira de mármore em Vila Viçosa, durante uma visita ao Alentejo, a convite da Entidade Regional de Turismo.

«Solicitámos esta audiência com o Sr. Presidente da República num quadro que consideramos da existência de uma crise política e de uma crise institucional».

«Os mais recentes desenvolvimentos, no plano económico, mas também no plano político, este afrontamento por parte do Governo em relação ao Tribunal Constitucional, que esconde um afrontamento à própria Constituição da República, demonstra que este Governo não tem condições para continuar e que o Presidente da República, levando à letra o juramento que fez de cumprir e fazer cumprir a Constituição, obviamente que deveria levar à demissão deste Governo e à convocação de eleições antecipadas», afirmou.

Jerónimo de Sousa não entende os «silêncios numa altura de agravamento de confronto, conflitualidade».

A delegação do PCP para a audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa, é composta por Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido, Manuela Bernardino, do secretariado do Comité Central, João Oliveira, líder parlamentar, e João Ferreira, eurodeputado comunista.

Em declarações aos jornalistas, em Vila Viçosa, Jerónimo de Sousa apelou à necessidade de se «aumentar a produção nacional», considerando que, «tendo em conta os problema da dívida, só produzindo mais é que devemos menos».

«Hoje existe uma compreensão nacional muito grande da necessidade de produzirmos mais e de aumentar o nosso aparelho produtivo, para criar riqueza», afirmou.

O líder comunista referiu que esta visita ao Alentejo pretende demonstrar que esta região «tem todas as potencialidades desde a planície, as serras, o mar, a praia e a gastronomia».

«Potencialidades imensas, a começar logo no subsolo, com a extração de mármores, que a par da agricultura e da extração de riquezas naturais que existem na região, através de uma componente de turismo muito importante, neste Alentejo precisamos de travar a desertificação», acrescentou Jerónimo de Sousa.

Para o líder do PCP, «a desertificação só se trava com mais emprego, com mais produção nacional», e esse foi o objetivo central da sua visita de hoje ao Alentejo, onde o turismo, «embora sendo transversal é uma componente fundamental para o desenvolvimento» da região.

Jerónimo de Sousa referiu, ainda, que «só uma falta de visão estratégica» permite que «o Alentejo assista a um processo de desertificação e de empobrecimento ao contrário das potencialidades que tem».