O secretário-geral do PCP recusou "ser comentador" do BE, sublinhou o "esforço" do PCP na convergência com o PS e mostrou-se convicto de que a renegociação da dívida será uma realidade.

À margem de uma visita a obras da autarquia de Almada, dirigida pela Coligação Democrática Unitária (PCP e "Verdes"), Jerónimo de Sousa vincou que os comunistas estão também "em fase de preparação do congresso (02-04 dezembro, em Almada), numa ampla discussão e reflexão sobre o projeto de teses que vão ser apresentados".

Compreenderão e perdoar-me-ão que tenha dificuldade em ser comentador em relação ao congresso de outros partidos, designadamente do BE. Não queria comentar. Avaliaremos, mas é uma decisão que compete apenas ao BE", respondeu.

A moção conjunta que as principais tendências do BE levam à próxima convenção, em junho, afirma que, sem uma nova estratégia, "não é possível" sustentar o "compromisso de recuperação de rendimentos em que assenta a maioria parlamentar".

Para o líder do PCP, "tendo em conta o grau de convergência e o nível de compromisso com o PS", há "um esforço para que haja resposta para aquilo que são anseios e aspirações manifestados pelos trabalhadores e o povo".

Estes avanços que têm sido conseguidos são importantes. Não devemos perder nenhuma oportunidade para repor salários, direitos, criar condições para o crescimento e desenvolvimento económicos. Até aqui, esses compromissos têm sido assumidos. Da nossa parte, procuramos, de forma séria, honrá-los", garantiu.

Contudo, o PCP rejeita "esquecer a inevitável contradição que existe dos constrangimentos externos, particularmente os que resultam da União Europeia, do peso da dívida, do Tratado Orçamental, do Semestre Europeu".

A "expressão [dessa contradição] teve estes dois documentos que o Governo aprovou e dos quais nós nos demarcamos [Plano Nacional de Reformas e Programa de Estabilidade], frisou o secretário-geral do PCP, referindo que aqueles textos "acentuam essa contradição - não se pode ter sol na eira e chuva no nabal".

Questionado sobre a abertura do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares ao debate sobre os problemas da dívida e sua eventual renegociação, que Pedro Nuno Santos disse ter de ser feita "no quadro da União Europeia", em entrevista à RTP, Jerónimo de Sousa não tem dúvidas.

A renegociação vai acontecer. A grande questão é saber se por iniciativa nossa - como devedores temos direitos - ou aceitar depois uma chamada renegociação imposta pelos credores", afirmou.

Para o líder do PCP, trata-se de "uma batalha que, naturalmente, não pode ser só" de Portugal isoladamente.

"Por isso, a nossa proposta de uma conferência intergovernamental entre países que têm o mesmo problema que nós", lembrou.