O secretário-geral comunista renovou esta segunda-feira propostas que ficaram de fora do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), na abertura das jornadas parlamentares comunistas, que decorrem até terça-feira no Grande Porto, referindo-se às negociações com o Governo socialista para 2017.

Centrado no incremento da produção nacional nos diversos setores, Jerónimo de Sousa referiu-se às pescas, leite, florestas, defendendo mais investimento, "especialmente público", além da continuidade da valorização de salários e pensões, reiterando a necessidade de aumentar todos os reformados em 10 euros, tudo para combater "ameaças de sanções" e "chantagem inaceitáveis da União Europeia (UE).

Propostas que agora renovamos, convictos da importância que damos aos nossos compromissos com os trabalhadores e o povo, que determinam a nossa conduta e posicionamento em relação à proposta de OE, certos de que o país não pode ficar prisioneiro das ameaças de sanções e da chantagem inaceitáveis da UE", disse, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Palácio de Cristal.

Para o líder do PCP, "não há campanha, nem manobras, ditadas por falsos propósitos de combate às desigualdades entre reformados que possam pôr em causa quanto justa é esta proposta, visando o aumento real de todas as pensões".

Uma proposta que garante um aumento percentual maior para os que têm reformas mais baixas e menor para os que têm reformas mais elevadas. Por exemplo, um aumento de 10 euros numa pensão de 250 euros representa um aumento de 3,6%. Numa pensão de 354 euros é de 2,8%, numa de 500 de 2%, de 600 1,6%, de 800 1,3% e de 1.000 euros, é de 1%", descreveu.

Jerónimo de Sousa lamentou que Portugal esteja "há demasiados anos (...) em retrocesso".

"Há muito combina períodos de estagnação económica prolongada com períodos recessivos", lamentou, depois de ter referido a "ausência de uma política nacional de defesa e desenvolvimento dos setores produtivos e as erradas e desastrosas opções que têm vingado no país, onde governos de uns a seguir aos governos de outros parece que tomaram como exclusiva tarefa diminuir o peso da indústria, agricultura e pescas na economia".

O secretário-geral do PCP criticou ainda a redução generalizada das capturas de peixe em 2017 e 2018 por parte da Comisssão Europeia e defendeu um aumento da quota para a sardinha que garanta a sustentabilidade da frota de pesca do cerco, além de um subsídio para a gasolina das embarcações.

O Governo do PS mereceu elogios pelo anunciado "apoio extraordinário às vacas aleitantes" e, prometeu, o PCP vai tentar "fazer funcionar o grupo de trabalho" do parlamento sobre as florestas (essencialmente para prevenir os fogos).