O líder comunista, Jerónimo de Sousa, reiterou esta quarta-feira a defesa dos aumentos salariais generalizados, sugerindo aquela medida ao Presidente da República e ao Governo para que Marcelo Rebelo de Sousa deixe de ter "vergonha da pobreza".

Ouvi, recentemente, o Presidente da República dizer que tinha vergonha da pobreza. Pois, para deixarmos de ter vergonha, temos uma boa solução: valorizar os salários para que eles deixem de ser pobres", afirmou, enquanto cumprimentou e foi saudado por participantes na manifestação de trabalhadores, convocada pela Interjovem/CGTP-IN, em Lisboa.

O secretário-geral do PCP sublinhou que "a pobreza em Portugal atinge não só aqueles que já estão em situação de miséria extrema, mas pessoas que trabalham e, no entanto, empobrecem, tendo em conta esse valor baixo dos salários", citando relatórios e documentos nacionais e internacionais de várias instituições onde tal situação é demonstrada.

[O Governo] pode estar atento, mas o que era necessário, no essencial, era medidas positivas no plano legislativo, designadamente um princípio que o PCP defende: para cada posto de trabalho permanente um contrato de trabalho efetivo", exemplificou Jerónimo de Sousa.

Para o líder comunista o executivo socialista devia "dar a força do exemplo" na administração pública, relativamente à precariedade, em vez de "incentivar o setor privado" a praticar o mesmo, e adotar formas de "combater muitos abusos" no mundo laboral e a degradação de outros direitos.

Jerónimo de Sousa enalteceu ainda a participação de milhares de jovens na manifestação - do Cais do Sodré até à Assembleia da República -, que "derrotam a tese de que não querem saber" e reclamam "querer o direito a terem direitos" contra "o trabalho temporário, à hora, à peça, sem saberem o dia de amanhã, algo dramático para as suas vidas e famílias".

Manifestação contra a precariedade

Em Lisboa, perto de duas mil pessoas participam esta tarde na manifestação nacional contra a precariedade e os baixos salários dos jovens trabalhadores, organizada pela CGTP, que partiu cerca das 15:30 do Cais do Sodré rumo à Assembleia da República.

É preciso que isto mude! Emprego para a juventude!” ou “O Governo tem de optar! Precariedade é para acabar!” forma algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes, que assinalam assim o Dia Nacional da Juventude.

A manifestação decorreu numa altura em que se discutem na Concertação Social as propostas do Governo de combate à precariedade, entre as quais a redução da duração máxima dos contratos a termo de três para dois anos e menor margem para renovações, bem como a criação de uma taxa a aplicar sobre as empresas que abusem deste tipo de contratação.

A CGTP classificou as medidas como "meros paliativos", considerando, por outro lado, positiva a eliminação da norma que permite a contratação a termo para postos de trabalho permanentes de jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração.