O secretário-geral do PCP anunciou esta quinta-feira, em Montemor-o-Velho, que o seu partido vai apresentar em breve na Assembleia da República uma proposta que visa proibir as instituições bancárias de alterarem unilateralmente taxas de juro.

Ao intervir num jantar-comício na localidade de Santo Varão, Jerónimo de Sousa disse que o PCP, em respeito pelos compromissos assumidos na campanha eleitoral para as eleições legislativas, está a concretizar um conjunto de propostas, uma das quais "visa proibir os bancos de alterar unilateralmente taxas de juro e outras condições contratuais que prejudicam pessoas individualmente e as pequenas empresas".

Aludindo aos primeiros 100 dias do Governo PS, o líder comunista criticou PSD, CDS-PP e "os comentadores de serviço", por alegarem que o executivo socialista está a ceder ao PCP e ao movimento sindical e que as medidas tomadas refletem a "gula" de sindicatos e trabalhadores.

"Este governo atual do PS admitiu qualquer direito novo? Nem um! Não se trata de direitos novos, aquilo que este governo está a fazer, com a nossa contribuição e o nosso apoio, é repor aquilo que foi roubado aos trabalhadores e ao povo, aos reformados, durante quatro anos", argumentou.


Jerónimo de Sousa frisou, ainda, que algumas das medidas tomadas pelos socialistas "não foram tão longe no seu alcance como era possível e o PCP propôs" ou, então, "não constituem mesmo a resposta que a situação impõe", dando o exemplo das pensões de reforma, "confinadas apenas ao seu descongelamento com valores manifestamente insuficientes".

Adiantou, a esse propósito, que os comunistas vão persistir, no Parlamento, "para que haja um aumento real das pensões e das reformas, tão flageladas nestes últimos anos".