O secretário-geral do PCP disse este sábado que a direção do partido nunca vira "a cara à luta" e também não dá "para o peditório do CDS", respondendo às acusações de falta de coragem da líder centrista.

Se há coisa que tem de ser reconhecida é que este partido, a sua direção, os seus militantes nunca viraram, nunca viram a cara à luta. Por isso, dizemos ao CDS e à senhora Assunção Cristas: tenha paciência, mas para o peditório do CDS não damos, porque queremos um país melhor, queremos continuar para a frente e não andar para trás", afirmou Jerónimo de Sousa, num almoço em Valejas, no concelho de Oeiras.

O líder comunista disse que não estava no plenário da Assembleia da República na altura em que a maioria de esquerda chumbou a resolução do CDS de rejeição aos programas de estabilidade e de reformas porque se encontrava "a preparar e a gravar uma entrevista na TSF, que passou hoje".

O projeto do CDS era uma espécie de gato escondido com rabo de fora, recomendava, é verdade, a rejeição dos dois documentos, mas antes, e de forma associada, recomendava que as políticas, as medidas, os cortes nos salários, nos direitos, os ataques aos serviços públicos, as privatizações que o governo anterior executou durante quatro anos deviam ser para continuar e até para intensificar", defendeu Jerónimo de Sousa.

Assunção Cristas, que participou na sexta-feira à noite num jantar com militantes em Santarém, disse que Jerónimo de Sousa "não foi capaz de dar a cara e deixou a sua bancada com os demais, porque não teve coragem para dar a cara por algo em que não acreditava"

Jerónimo de Sousa sublinhou que "é conhecida a posição do PCP, que defende a rutura com os constrangimentos e os condicionalismos associados à União Económica e Monetária e ao Tratado Orçamental" que os programas de estabilidade e de reformas "são filhos".

"É conhecida a opinião do PCP acerca destes programas que são impostos pela União Europeia e são parte integrante de um mecanismo de ingerência para controlar e impor a política de exploração e de empobrecimento que, nos últimos anos, resultou no agravamento da crise, no desemprego, nos baixos salários e na precariedade, na emigração em massa e no alastramento da pobreza", sustentou.

Por isso temos afirmado que na perspetiva do PCP, a solução para os problemas nacionais não é a submissão às imposições da União Europeia, mas recusar o caminho que nos querem impor e dar continuidade às medidas de caráter positivo implementadas nos últimos meses, levando-as mais longe e não o regresso às políticas do governo anterior como o CDS e também o PSD pretendem com as suas propostas e projetos", sublinhou.

Jerónimo de Sousa atribuiu aliás a apresentação da resolução pelo CDS a mais uma manifestação de intrigas e manobras que os centristas mas também o PSD têm feito, como "o grande capital nacional e transnacional", para "resistir a toda e qualquer medida que possa reverter o saque que promoveram aos rendimentos e direitos dos trabalhadores e do povo nestes últimos anos".

Para o PCP, o país ainda não vive "uma clara rutura com a política de direita" a que o partido aspira, mas "está aberta uma janela", que prometem tudo fazer "para que seja de esperança no desenvolvimento de um caminho capaz de dar resposta e solução aos graves problemas que o país enfrenta".

O secretário-geral comunista enumerou medidas dos últimos meses, sobretudo a devolução de rendimentos e prestações sociais, e também prometeu não abrandar uma "ação determinada" para fazer valer a proposta que o PCP apresentou e não teve acolhimento junto do Governo de "aumento extraordinário das pensões de reforma em 10 euros, para assegurar que ao seu descongelamento se juntasse uma trajetória de recuperação do seu valor real".