O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, evocou, em Castro Verde, a «intervenção dedicada, nas mais diversas tarefas e responsabilidades», do militante e dirigente comunista José Casanova, falecido no sábado.

José Casanova «deixa-nos a sua intervenção dedicada como militante e dirigente do PCP, nas mais diversas tarefas e responsabilidades, e a sua sensibilidade e contribuição no plano cultural», afirmou o líder comunista.

Ao intervir no encerramento da 8.ª Assembleia da Organização Regional de Beja do PCP, em Castro Verde, Jerónimo de Sousa indicou ainda qual «a melhor homenagem» que se pode prestar a Casanova.

«José Casanova sabia que o seu partido, a luta pelo seu ideal, o seu projeto, iria sempre além do tempo das nossas vidas. Não há melhor homenagem que lhe possamos prestar do que o prosseguimento da luta do seu partido de sempre ao serviço dos trabalhadores e do povo e do país», realçou.

O funeral do escritor e dirigente do PCP José Casanova realiza-se hoje, às 18:30, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde o corpo será cremado pelas 19:00, segundo uma nota do partido.

O corpo do antigo diretor do jornal Avante! está em câmara ardente, na Casa Mortuária da Igreja de S. Francisco de Assis, na avenida Afonso III (ao Alto de S. João).

O membro do Comité Central do PCP morreu no sábado, após «doença grave».

Nascido em 1939, no Couço, concelho de Coruche, José Casanova aderiu ao PCP, com 19 anos, e as suas primeiras atividades políticas ocorreram na União da Juventude Portuguesa, na qual chegou a ser dirigente.

Casanova participou nas candidaturas de Arlindo Vicente e de Humberto Delgado, em 1958. Foi preso pela PIDE, a polícia política da ditadura, em 1960, e condenado a dois anos de prisão, além de ser sujeito às «medidas de segurança que o forçaram a permanecer cerca de seis anos nas prisões fascistas», lê-se na nota enviada pelo PCP.

Entre 1971 e 1974, José Casanova esteve exilado na Bélgica, onde desenvolveu atividade partidária, quer entre os emigrantes portugueses, quer com contactos com os movimentos de libertação das ex-colónias: Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Com a Revolução de Abril de 1974, Casanova regressou a Lisboa e tornou-se membro do Comité Central do PCP, dois anos mais tarde, e fez parte da Comissão Política de 1979 a 2008.

José Casanova dirigiu o “Avante!”, o jornal oficial do PCP, entre 1997 e fevereiro de 2014, e atualmente era responsável pela Comissão Nacional da Cultura do partido.

No seu currículo literário, Casanova conta com os romances «Aquela Noite de Natal», «O Caminho da Aves» e «O Tempo das Giestas», assim como com outras obras, nomeadamente o livro sobre Catarina Eufémia, recentemente editado.