O secretário-geral do PCP lamentou «falar para a parede da maioria» e o «silêncio de chumbo de outras forças políticas», referindo-se ao maior partido da oposição, o PS, sobre a discussão pública relativa às alterações à legislação laboral.

«Estivemos a falar para uma parede, para a parede da maioria, mas, talvez, tão inquietante como isso é o silêncio de chumbo de outras forças políticas que, também com o seu silêncio, acabam por dar cumplicidade e acordo a esta decisão da maioria», afirmou Jerónimo de Sousa, no encerramento de uma audição pública sobre legislação laboral na Assembleia da República.

O líder comunista referia-se ao curto tempo de debate relativamente às propostas de lei governamentais que reformulam a contratação coletiva e o trabalho suplementar, a serem debatidas no Parlamento quinta-feira, diante de sindicalistas e membros de comissões de trabalhadores de vários setores e empresas portugueses.

Segundo Jerónimo de Sousa, o executivo da maioria PSD/CDS-PP tem procurado «dividir as gerações de trabalhadores, em conformidade com o seu vínculo laboral, mas particularmente dividindo os trabalhadores da função pública do setor privado, atacando à vez, procurando igualizar por baixo os seus direitos e salários».

«É isso que a troika estrangeira manda fazer. É isso que a ¿troika' nacional acordo e que este Governo tenta executar», acusou.

O secretário-geral do PCP apelou ao esclarecimento e mobilização dos trabalhadores nos locais de trabalho e à sua participação na «grande manifestação» da CGTP, marcada para 10 de julho.