O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta quarta-feira que o PS, se ganhasse as eleições legislativas, voltaria a desculpar-se com a situação herdada do atual Governo PSD/CDS para não cumprir as promessas feitas aos portugueses. 

"Corremos o risco - se o PS ganhasse as eleições -, de que, passado pouco tempo, estivesse a dizer: portugueses, afinal a situação estava pior do que nós julgávamos, a crise aí está, tenham paciência. Não podemos concretizar os objetivos que anunciámos em campanha eleitoral."

O líder comunista recordou, durante um almoço com trabalhadores comunistas da Câmara de Palmela, que esta tem sido a prática dos últimos governos do país, de maioria PS ou PSD/CDS.

"Sempre o mesmo filme, sempre esta roda permanente do ora agora governas tu, ora agora governo eu, para, depois de enganarem os portugueses, conseguirem os votos e prosseguirem, no essencial, a política de direita."


Jerónimo de Sousa lembrou ainda presença constante do PCP junto dos trabalhadores, ao mesmo tempo que sublinhava “a ausência dos socialistas nos momentos difíceis e nas lutas da administração central e local”.

Relativamente à polémica sobre as negociações do último pedido de resgate de Portugal, Jerónimo de Sousa, reconheceu, com ironia, que PS, PSD e CDS, têm razão quando dizem que não foram eles que negociaram com a `troika´.

"Eu acho que numa coisa todos eles têm razão: é que ninguém negociou coisa nenhuma. A troika chegou aqui e impôs aquele texto, aqueles conteúdos", disse o líder comunista, que recordou uma conversa tida na altura com um responsável governamental do PS, a quem terá perguntado se estavam a negociar alguma coisa com a troika.

Segundo Jerónimo de Sousa, o interlocutor socialista, que não identificou, terá respondido na altura que, na realidade, não havia qualquer negociação.

"Tem razão. Não estamos a negociar coisa nenhuma, estamos a sofrer as imposições da troika estrangeira", terá respondido o governante socialista, citado por Jerónimo de Sousa.

No almoço com trabalhadores da Câmara de Palmela, participou também o cabeça-de-lista da CDU por Setúbal, Francisco Lopes, que teceu duras críticas ao Governo PSD/CDS pelos ataques aos direitos dos trabalhadores nos últimos quatro anos, salientando, no entanto, que esses ataques começaram ainda no tempo do anterior executivo socialista, com os denominados PEC (Programas de Estabilidade e Crescimento).