O secretário-geral do PCP afirmou este sábado que o seu partido parte para as legislativas de «cara levantada» perante a «atual torrente de corrupção» e criticou o Governo por estar pela «vacina contra a mudança» no caso grego.

Jerónimo de Sousa falava no encerramento do Encontro Nacional do PCP, que decorreu em Loures, após mais de mil militantes comunistas terem aprovado por unanimidade uma resolução política intitulada «Não ao declínio nacional, soluções para o país».

De acordo com Jerónimo de Sousa, o PCP parte para os próximos combates eleitorais «com a confiança de quem esteve sempre do lado certo, do lado dos interesses nacionais, na defesa da soberania e da independência nacionais, que rejeita a crescente submissão de Portugal à União Europeia e afirma o direito do povo português a decidir sobre o seu futuro».

Mas Jerónimo de Sousa foi ainda mais longe, recebendo uma salva de palmas, ao dizer que o PCP parte com a confiança «de quem se apresenta de cara levantada que, na atual torrente de corrupção e atos ilícitos, pode apresentar um percurso de verdade, de reconhecido respeito pela palavra dada, de honestidade, trabalho e competência».

Na sua intervenção, o líder comunista fez duras críticas ao PSD, CDS e PS, e procurou desmontar a ideia de que, após o programa de assistência financeira, o pior já passou para o país.

«A prosseguir este Governo e de Passos e Portas, a manter-se esta política das troikas sem troika pelas mãos do PSD e do CDS, ou por outras que as tornem no essencial como suas (como vemos o PS), os portugueses só podem esperar o pior. Por trás da máscara do disfarce eleitoral - do pior já não fica, que agora tudo é positivo, tudo é a somar -, está essa agenda escondida, traduzida na língua de pau do economês dominante», acusou.

Neste contexto, o secretário-geral do PCP deixou ainda outra advertência sobre a atuação política dos líderes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS, Paulo Portas.

«Os portugueses sabem hoje e por experiência própria quanto valem as palavras de Passos e Portas. Duram tanto como a manteiga em focinho de cão», disse.

Jerónimo de Sousa fez também duras críticas sobre a atuação do Governo português após a eleição do novo Governo da Grécia, agindo "não a pensar no seu povo, mas na sua própria sobrevivência".

Por isso, segundo o líder comunista, o Governo português «tomou nas suas mãos a bandeira alheia dos algozes dos povos, numa posição de humilhante submissão para fazer desse caso - da questão grega - uma vacina contra a mudança».

«Mas não há vacinas contra a mudança», sustentou.

Jerónimo de Sousa atacou também o PS, considerando que escolheu «fazer o papel de morto para não clarificar ao que vem e assim tentar ficar livre de justificar a mudança faz-de-conta que todas as suas posições e declarações pré-anunciam».

No seu discurso, o secretário-geral do PCP lançou ainda um apelo à participação numa marcha nacional «pela libertação e dignidade nacionais» prevista para se realizar a 06 de junho em Lisboa.

«Uma iniciativa que queremos que seja uma forte afirmação de exigência de mudança e de expressiva manifestação de confiança dos trabalhadores, dos democratas, dos patriotas, do nosso povo na sua luta e de que há um caminho alternativo à política de declínio nacional que está a ser imposta ao país», disse.