O secretário-geral do PCP mostrou-se hoje curioso com a alegada «recaída» do PS para a esquerda, instando os seus dirigentes a avançar propostas concretas, e sublinhou que os comunistas nunca empurraram os socialistas para a direita.

«Tem o PS, neste momento, uma recaída, um rebate de consciência? Pelas propostas que avançou, continuamos a ter muitas dúvidas. Sim ou não, é possível uma rotura com a política de direita? Sim ou não, pretende uma política patriótica e de esquerda como alternativa a este rumo de desastre que nos tem desgovernado durante 38 anos?», questionou Jerónimo de Sousa.


O líder comunista falava à margem da evocação do militante que mais tempo passou na clandestinidade e em órgãos dirigentes do partido, Sérgio Vilarigues, numa cerimónia que decorreu na Casa do Alentejo, em Lisboa.

«O PCP nunca empurrou o PS para a direita, (o PS) foi sempre pelo seu próprio pé, livremente, fazendo uma política que defende os interesses económicos dos mais poderosos», criticou.


O secretário-geral do PS, António Costa, rejeitara no XX Congresso Nacional, durante o fim de semana passado, quaisquer alianças com a atual maioria governamental, apelando aos partidos da esquerda para abandonarem o mero protesto. Hoje, o deputado socialista Vieira da Silva afirmou no parlamento que não há «esquerdização» do PS.

«A esquerdização é uma palavra muito esquerdista. O grande problema do PS não foi a esquerdização, foi ser um protagonista da política de direita. Não se limitou a meter o socialismo na gaveta, meteu também essa conceção de esquerda, através de sucessivos governos, em aliança concreta, em sede legislativa», continuou Jerónimo de Sousa.


O secretário-geral do PCP defendeu que, se o PS «afirma que quer deslocar-se para a esquerda, é porque esteve noutro lado».

«O PS, no plano verbal, afirma essa vontade de se entender à esquerda, mas nunca dizendo em torno de quê e para quem», lamentou.