O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse esta quinta-feira que a causa de um quarto da população portuguesa correr risco de pobreza se deve às «políticas de direita» contidas no memorando da troika aplicado pelo Governo.

De acordo com dados do Eurostat, um quarto da população portuguesa encontrava-se em risco de pobreza ou de exclusão social em 2012, situando-se este valor, de 25,3% da população total, em linha com a média da União Europeia, de 24,8%.

«Não foi nenhuma calamidade, não foi nenhum castigo divino, isso resulta de uma política de direita que exercita esse pacto de agressão sobre o nosso povo, os trabalhadores e os pensionistas, levando a que nessa quota de estatística estejam, por exemplo, trabalhadores que trabalham empobrecendo», frisou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas na Mealhada, no final da inauguração do Centro de Trabalho do PCP, que desde o início da década de 90 não possuía instalações no concelho bairradino.

O secretário-geral do PCP considerou que esta situação devia levar «a uma reflexão profunda», porque estatísticas anteriores referiam que 20 por cento de portugueses viviam no limiar da pobreza e «agora passou para 25 por cento, o que significa que 2,5 milhões de portugueses correm hoje risco de pobreza».

Segundo o deputado comunista, «há uma causa funda, que são as políticas de direita que estão contidas nesse pacto de agressão».

«A troco de quê?», interrogou Jerónimo de Sousa, considerando que o Governo não conseguiu resolver os dois problemas de que tanto fala: «Défice e dívida, que continua a crescer para níveis incomensuráveis e simultaneamente continua com uma política de exploração e empobrecimento.»

O dirigente do PCP sublinhou ainda a «ironia amarga» dos números do Eurostat. «Agora surge esta estatística, mas recentemente um relatório demonstrava que as grandes fortunas aumentaram os seus rendimentos em 16% e que há mais 28 multimilionários em Portugal.»

«Reparem na contradição insanável, uma mancha de pobreza alarmante, inquietante, e simultaneamente a transferência da riqueza para as mãos de uns poucos», salientou Jerónimo de Sousa.