O secretário-geral do PCP defende que a atribuição da pasta da Investigação, Ciência e Inovação a Carlos Moedas «não é boa notícia para os portugueses», afirmando que Governo foi o que mais desinvestiu naquelas áreas.

«Carlos Moedas, membro do Governo que menos investiu na ciência, na investigação, na educação, vai promovido a comissário. Isto tem um significado», afirmou, referindo que Moedas foi um dos «rostos principais» do Governo «a mando da troika estrangeira».

A pasta da Investigação, Ciência e Inovação, foi hoje atribuída ao comissário europeu designado Carlos Moedas.

«Os portugueses não se iludam, a União Europeia quis ter ali alguém que no seu país desvaloriza aquilo que nós consideramos uma questão estratégica, estamos a falar de investigação, estamos a falar de educação», afirmou Jerónimo de Sousa à Lusa, à saída de um encontro com responsáveis da Liga Operária Católica, em Lisboa.

«E não vale a pena assinarem com milhares de milhões, porque é preciso que os portugueses saibam que vamos ser um contribuinte liquido nesse projeto, vamos pagar mais do que recebemos. Esta nomeação não é boa notícia para os portugueses», acrescentou o líder comunista.

A Investigação, Ciência e Inovação constitui um pelouro inédito entre as responsabilidades que couberam a Portugal no executivo comunitário desde a adesão, em 1986, à então Comunidade Económica Europeia (CEE).

Portugal, que já teve comissários com pastas tão diversas como as Pescas, a Cultura e a Justiça - os primeiros dois comissários, António Cardoso e Cunha e João de Deus Pinheiro, cumpriram mais de um mandato cada, com pelouros diferentes -, ocupou ao longo dos últimos 10 anos o topo da hierarquia comunitária com a eleição de José Manuel Durão Barroso para a presidência do executivo comunitário em 2004 (e recondução em 2009).