O secretário-geral do PCP apelou esta terça-feira ao combate à impunidade dos criminosos e acusou o Governo de tomar «medidas securitárias», negligenciando o policiamento de proximidade e as consequências penais imediatas, escreve a Lusa.

Jerónimo de Sousa comentou os distúrbios recentes no bairro Portugal Novo (Lisboa) numa audição sobre a segurança das populações, criticando o desinvestimento no policiamento de proximidade, reflectido no encerramento de várias esquadras na capital: «As esquadras estão degradadas e em vez de serem reparadas o que faz o Governo? Se as instalações estão más, fecham-se», acusou.

O líder comunista questionou «a degradação do serviço público policial e do policiamento de carácter preventivo» e associou a criminalidade ao «vazio da autoridade de Estado».

«Um caso de polícia»

Mas acrescentou também que os problemas de segurança dos cidadãos não se resolvem apenas com medidas policiais, numa crítica implícita às declarações do presidente da câmara de Lisboa que classificou os incidentes como «um caso de polícia».

«Qual é a alternativa que se coloca às crianças e aos jovens perante uma total ausência de equipamentos? Para o presidente da câmara é apenas um caso de polícia», disse o secretário-geral do PCP, imputando responsabilidades a António Costa.

O presidente do município foi igualmente criticado por nunca ter convocado uma reunião do Conselho Municipal de Segurança, apesar de vários pedidos nesse sentido, uma «omissão» que já tinha sido denunciada pela bancada social-democratas da Assembleia Municipal.

«Melhores condições de trabalho e de serviço»

Jerónimo de Sousa exigiu ao Governo «melhores condições de trabalho e de serviço» para os profissionais de polícia e a «aprovação de medidas que diminuam o sentimento de impunidade dos criminosos e que os incentiva a prosseguir estas práticas», nomeadamente consequências penais imediatas e maior celeridade na Justiça.

«É fundamental alterar as orientações a nível de segurança interna. É preciso um salto qualitativo do policiamento de proximidade e uma maior visibilidade», apelou o dirigente do PCP considerando que é um erro tirar a polícia dos bairros problemáticos.

As repercussões sociais da crise económica também não foram esquecidas: «num quadro de previsível agravamento da situação social, ficamos com um sentimento de inquietação profunda em relação às questões de segurança», lembrou Jerónimo.