O líder do PCP acusou, este domingo, o Governo e os partidos que o suportam de estarem em pré-campanha eleitoral, considerando que «não há ministro que não esteja a anunciar já uma medidazinha especial para 2015».

Jerónimo de Sousa afirmou que «o Governo e cada um dos partidos que lhe dão suporte lançaram-se já numa descarada campanha de mistificação» em relação à real situação económica e social do país e aos «seus maquiavélicos projetos».

«Há quem já esteja em pré-campanha eleitoral e a aprontar todo um arsenal de mentira e ilusão para tentar enganar outra vez os portugueses», acentuou, referindo que «não há ministro que não esteja a anunciar já uma medidazinha especial para 2015».

Deu como exemplos, entre outros, a «devolução de umas migalhas dos salários roubados, a baixa de impostos depois do maior aumento de que há memória e aumento do salário mínimo depois de anos de congelamento e degradação».

O secretário-geral comunista discursava no encerramento da 8.ª Assembleia da Organização Regional de Évora, que decorreu no pavilhão da Associação de Moradores do Bairro do Bacelo, na periferia da cidade alentejana.

Num discurso de cerca de 30 minutos, perante sala cheia, Jerónimo de Sousa apelidou de «manobras e mistificações» as propostas apresentadas recentemente pelo líder do PS, António José Seguro, entre as quais a redução de deputados na Assembleia da República.

«Manobras e mistificações que não estão desligadas do objetivo de conter o crescimento das forças capazes de dinamizar uma verdadeira alternativa de governo e de política», disse.

«Eles, que pensaram e anunciaram a morte do PCP, quando vêm o PCP crescer e avançar, têm razões para estarem preocupados, mas vão para o terreno e não tentem ganhar na secretaria aquilo que o povo decide com o seu voto», avisou.

Para o líder comunista, os socialistas pretendem com as suas propostas «eternizar o rotativismo bipartidário» e «criar um sistema eleitoral, que, sobretudo, favoreça e estimule a concentração de votos no PS e no PSD para prosseguirem a política do costume».