O secretário-geral do PCP antecipa que o primeiro-ministro vai “mistificar” com “mentiras” os resultados da atuação do Governo PSD/CDS-PP nos últimos quatros anos, quando discursar esta noite na festa do Pontal.

Jerónimo de Sousa disse este sábado que a evolução do país mostra como a CDU tinha razão quando disse que o caminho do Governo não era a solução para o país e que “não há grandes expectativas em relação ao que Pedro Passos Coelho vai dizer logo lá no Pontal”, em Quarteira.

Num discurso aos militantes num almoço-comício da CDU em Monte Gordo, concelho de Vila Real de Santo António, no distrito de Faro, Jerónimo de Susa disse que Passos Coelho irá elencar no discurso que com a governação da coligação “salvaram o país da bancarrota, que a culpa foi do PS por ter chamado a ‘troika’, que não sacrificaram os que menos têm e menos podem, que agora estamos no bom caminho com crescimento económico”, cita a Lusa.

Mas o líder comunista contrapôs a esta ideia do primeiro-ministro um verso do poeta algarvio António Aleixo, quando escreveu que “para a mentira ser segura e atingir profundidade, tem que trazer à mistura algum fundo de verdade’.

Jerónimo de Sousa considerou que, no caso de Passo Coelho, se pode “dizer que o fundo da verdade é pouco e o fundo da mentira é muito”, porque o líder do PSD disse que o Governo ia “resolver o problema da dívida e chamar a ‘troika’ por causa da divida”, mas termina o mandato com “mais 50.000 milhões de euros de dívida acumulada, mais um serviço da dívida de cerca de 9.000 milhões de euros”.

O secretário-geral do PCP considerou ainda que o legado do Governo representa também “um país mais dependente do estrangeiro, em que a tragédia do desemprego atingiu centenas de milhar de portugueses”, lembrando os “mais de sete mil POC [Programas Ocupacionais] criados com esta política de direita”.

“Mas haverá exemplo mais gritante desta política do que a emigração de 500 mil, meio milhão de portugueses, particularmente jovens, formados, capazes de servir o seu país, que tiveram que sair para o estrangeiro porque na sua pátria, na sua terra, não tinham condições para organizar a sua vida”


Jerónimo de Sousa disse que estamos hoje num “país onde campeia há muito uma profunda injustiça fiscal, agravada pelo maior aumento dos impostos sobre o rendimento do trabalho de que há memória” e exortou Passo Coelho a “explicar logo como é que nestes quatro anos se transferiram dos rendimentos do trabalho sete mil milhões de euros que foram para o Estado, mas dois mil milhões foram para os bolsos dos grandes grupos económicos”.

“Aqui está um exemplo concreto de que este Governo mente aos portugueses”, afirmou ainda o dirigente do PCP, para quem só o reforço de votos e de deputados da CDU nas próximas eleições legislativas permitirá criar uma alternativa à “política de direita”, que disse ter sido seguida pelo PSD, pelo CDS e pelo PS ao longo dos últimos 39 anos.