O secretário-geral comunista afirmou, esta sexta-feira, que o primeiro-ministro «quanto mais fala mais se enterra», referindo-se à polémica sobre a carreira contributiva de Passos Coelho, no comício do 94.º aniversário do PCP, na Voz do Operário, em Lisboa.

«Um Governo cujo primeiro-ministro, por mais que explique sobre a trapalhada fiscal e contributiva que o envolve, não só nada esclarece como, usando uma expressão popular, quanto mais fala mais se enterra», disse Jerónimo de Sousa.


O líder do executivo da maioria PSD/CDS-PP afirmara antes que nunca teve conhecimento de «qualquer carta ou notificação» de dívidas à Segurança Social, garantindo que pagou o montante e os juros comunicados em fevereiro deste ano pela instituição, no valor total de 3914,74 euros.

Em repostas a perguntas do PCP e do PS, às quais a agência Lusa teve acesso, Passos Coelho reitera que julgava que as contribuições para a Segurança Social à época - entre 1999 e 2004 - «não eram devidas», adiantando que pela mesma razão «também não as declarou em sede de IRS».

«Por mais que fale, não afasta a ideia de que há dois pesos e duas medidas, pelo que diz e pelo que não responde. É mais um episódio que reclama e reafirma a urgência da sua demissão. Nem que fosse por um dia a menos deste Governo, era mais um dia na esperança no progresso, na recuperação económica e na justiça social», reclamou o líder comunista.


Este é «um Governo que há muito devia ter sido demitido, como também há muito defendemos, e que todos os dias continua a dar e a somar as razões da nossa exigência, um Governo em confronto com a Constituição, que passou impunemente pelo escândalo dos vistos ‘gold’», sustentou.

«Querem meter pelos olhos dentro dos portugueses, à força da muita e gorda mentira, que o país regressou à normalidade e está a dar a volta. Nesta campanha, para apanhar o país à falsa fé, o descaramento é enorme. O problema é que a vida aí está, todos os dias, a gritar a realidade dos factos, denunciando as construções falaciosas de um Governo sem escrúpulos», declarou.


O primeiro-ministro não respondeu à pergunta do PCP sobre quais as entidades pelas quais foi remunerado como trabalhador independente nesse período, referindo apenas que «foram prestados serviços a várias entidades», e acrescenta que «os rendimentos daí auferidos foram sempre declarados em sede de IRS».